E se eles forem embora?
Por Rick Serrat
Caramba! Estou de volta na frente da telinha, escrevendo da minha maneira, maneira louca de escrever, mas que as pessoas entendem!
Ontem, 29 de Abril, aproximadamente 15:00, a CEMIG, bateu na porta da minha casa, e me disse que ia cortar a minha luz, porque de acordo com sistema (fail) da CEMIG, minha casa estava com ligação irregular, para resumir, o nome da minha mãe constava como “conta desligada”.
Apesar disso, como um bom cristão e um bom ser humano, passamos por umas loucas discussões!
Como um bom humano
Logo que o cara cortou, eu fiquei tranqüilo, não podia fazer nada, o máximo era ligar para a CEMIG, e ver os procedimentos para re-ligação (e foi aí que o lado humano aflorou). Vocês já podem imaginar como foi conversar com atendente da CEMIG, me pedindo vários dados etc.
Fiquei muito nervoso, tive que fazer um tanto de coisa lá, que no final não adiantou em nada!
Então liguei para minha mãe, para tentar avisar a ela de uma maneira mais sutil possível.
Diálogo:
- Alô (mãe)
- Mãe, você tá no consultório ainda? (eu)
- Sim!
- Já está saindo? Acabou tudo ai? Tem paciente esperando?
- Não, já terminei, to arrumando as coisas. Por quê?
- Então beleza, Silvinha (minha irmã) vai passar aí para te pegar e levar na CEMIG.
- Por quê?
- Contaram a luz aqui de casa, disseram que tava “ligado irregular” (resumindo gato).
- Mãe, você tá no consultório ainda? (eu)
- Sim!
- Já está saindo? Acabou tudo ai? Tem paciente esperando?
- Não, já terminei, to arrumando as coisas. Por quê?
- Então beleza, Silvinha (minha irmã) vai passar aí para te pegar e levar na CEMIG.
- Por quê?
- Contaram a luz aqui de casa, disseram que tava “ligado irregular” (resumindo gato).
O restante do diálogo foi censurado
Como um bom cristão
Fiquei tentando entender o porquê que isso aconteceu, afinal, todas as contas de 13 anos que temos essa casa estavam pagas.
Como um bom cristão, pensei: “É o diabo!!! O DEMÔNIO DO INFERNO!” (brincadeira, não poderia deixar de brincar
)
Na verdade comecei a refletir. Como uma coisa simples, que está em nosso dia a dia, e agente a tem sempre ao nosso lado, que nem damos importância e nem nos importamos com sua importância, nos deixa de mãos atadas!
Foi quando comecei a perceber como a luz é importante na minha vida, assim como minha mãe é importante, assim como todas as pessoas que tenho contato sempre.
Nós sempre estamos em contato com várias coisas e não olhamos a importância daquilo, na verdade, nunca pensamos: “Se eu não tiver isso, o que eu vou sofrer de dano?”, ou “Se essa pessoa for embora amanhã para nunca mais voltar, eu conseguirei viver sem ela?”
Caramba, quando comecei a pensar essas coisas, fiquei “boladão”! Comecei a pensar no dia que minha mãe for embora, que Deus a levar. Irmão, não sei mesmo como vai ser minha vida sem ela. (Você já parou para pensar o quanto é importante essa pessoa que está ao seu lado?)
Conclusão
A conclusão é a seguinte, Deus fala com cada um de nós de uma maneira diferente, usando coisas simples e que aos nossos olhos não são nada, como a luz (energia).
Deus se enquadra no meio de coisas importantes que estão ao nosso redor e, quando agente entra em um costume ou em uma religiosidade, nós começamos a esquecer do AMOR MAIOR que Ele tem por nós, e passamos a colocar culpa nEle em muitas coisas que fazemos!
Fica aqui minha reflexão.
A paz de Cristo para todos! E um beijo do gordo!
by Rick
#WeekSong: “Vem me socorrer” (Palavrantiga)
E na #WeekSong dessa semana, mais uma banda que se repete por aqui.
Na verdade, no vídeo só rola mesmo o Marcos Almeida, vocalista do Palavrantiga (que já apareceu por aqui de várias maneiras), bem relax, à vontade, cantando a excelente música “Vem me Socorrer”.
Não tenho um tom
Não tenho palavras
Não tenho acorde que
Me socorra agora
Tudo foi embora
Só tenho você
Havia um silêncio
Que mostrou os meus vícios
Me agarro contigo
Vem me socorra agora
Tudo foi embora
Só tenho você amor
Agora
E essa não é mais uma canção de amor
Não, não, não
Eu canto pra ti
Sei onde estou
Olhando pra mim posso saber
Que nada sou
Eu grito pra ti oh Deus
Vem me socorrer
Olhando pra mim posso saber
Que nada posso fazer
Se gostou, não custa nada comentar, né? ;D
Parafraseando 001.”Tolkien Estava Certo”
“Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer, e na Escuridão aprisioná-los.”
(J. R. R. Tolkien, O Senhor dos Anéis)
O inesquecível livro de J. R. R. Tolkien me assusta, cativa e surpreende em vários aspectos. Seja pelos personagens cativantes, a criatividade, a aventura ou por qualquer outro aspecto que envolve toda a obra. Um deles, porém, é terrivelmente perturbador: depois de tantos anos, o princípio da maldição do Um Anel é hoje mais real e palpável do que o próprio Tolkien poderia imaginar.
Alguns de nossos líderes, por exemplo, acreditam possuir o Anel do Poder e, sem notar, já foram dominados pelos poderes ocultos que ele pode trazer. Tornaram-se Gollums! Estão obcecados pelo poder e cegos ao ponto de não enxergarem o domínio que o Senhor do Escuro já exerce sobre suas mentes cauterizadas.
Nenhuma autoridade dá direito à quebrar as leis que regem o Reino de Deus. Nenhuma posição hierárquica, seja ela qual for, é passaporte para um nível elevado – onde se pode pisar os outros para atingir o topo. Nenhuma “unção” é maior que a Palavra de Deus. Nenhum homem (ou mulher) tem o direito de se tornar intocável, inacessível ou superior só porque alguém o apelidou de “ganhador de almas” – quem salva a alma é Cristo, CRIATURA ALGUMA é capaz de ganhar ou salvar alguém!
Hereges não devem ser queimados na fogueira, como diziam os monstros da inquisição. Pelo contrário, precisam reconhecer seus atos pecaminosos, ser ensinados no caminho da justiça e destruir o “Precioso” o mais depressa possível!
No entanto, estes “portadores do anel” jamais o largarão enquanto afagarmos suas cabeças e cultivarmos a ideia de que são intocáveis!
No entanto, estes “portadores do anel” jamais o largarão enquanto afagarmos suas cabeças e cultivarmos a ideia de que são intocáveis!
Apontar uma falsa doutrina não é julgar alguém, é julgar seus ensinamentos conforme a sã doutrina da Palavra de Deus, como faziam os Bereanos, ou como nos ordena a própria Bíblia Sagrada: “Não julgueis segundo a aparência, MAS JULGAI segundo a reta justiça.” (João 7.24)
Me chamem de anarquista ou de maluco, mas já não acredito em governos, lideranças ou autoridades. Não enquanto o poder de um se dê em detrimento dos direitos do outro. Nenhuma pessoa nesta terra está livre da tentação de se corromper e desviar os olhos do alvo. Sejam religiosos ou políticos, militares ou representantes: ninguém (nem eu, nem você) está livre dos olhos de Sauron quando o Um Anel, o Anel do Poder, está por perto.
Agora só nos restam duas opções: ou nos livramos deste anel maldito, ou nos tornamos escravos dele.
Texto escrito por GG, que está feliz por ter inaugurado A MAIS NOVA COLUNA DO TERRITÓRIO 7!!! Uhuuuuuuu!!!
Vida de blogueiro…
Alguns amigos “do ramo” vão se amarrar nessa…

Fonte: NadaVer
Graça Barata X Graça Preciosa
Nascido em Breslau, na Alemanha, em 4 de fevereiro de 1906, Dietrich Bonhoeffer foi teólogo, pastor luterano e um dos mentores e signatários da Declaração de Bremen, quando, em 1934, diversos pastores luteranos e reformados formaram a Bekennende Kirche (Igreja Confessante), rejeitando desafiadoramente o nazismo: “Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador”.
Seus últimos dois anos foram vividos na Prisão Preventiva do Exército em Tegel, até que, em 9 de abril de 1945, pouco tempo depois do suicídio de Adolf Hitler e apenas três semanas antes que as tropas aliadas libertassem o campo, foi enforcado em virtude de seu engajamento na resistência anti-nazista.
Em sua obra mais famosa, escrita no período de ascensão do nazismo, intitulada “Discipulado”, Bonhoeffer desenvolve o conceito de “graça barata e graça preciosa”, uma das mais belas páginas da teologia protestante. Eis um pequenino trecho:
“A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.
A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quando tem; a pérola preciosa, a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens para adquiri-la; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, o qual, ao ouvi-lo, o discípulo larga as suas redes e o segue.
A graça preciosa é o evangelho que há que se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater.
A graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, dar-lhe a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por tê-la sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “fostes comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.
A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado. A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: ´O meu jugo é suave e o meu fardo é leve´ são expressão da graça … A graça e o discipulado permanecem indissoluvelmente ligados”.
Fonte: Irmaos.com
Filmes que falam mais que os púlpitos (Episódio 002)
O texto abaixo foi publicado originalmente no Caverna do Jedi, onde regularmente escrevo sobre cinema (minha paixão incurável). Em tempos nos quais o conceito de “humanidade” se tornou tão obseleto e vulgar, “The Road” é um tapa na cara.
Como vejo poucas vezes uma mensagem humanista e sincera sobre as paixões, medos, paranóias e preconceitos nos púlpitos, resolvi postá-lo aqui também, nesta coluna que há muito tempo não aparecia aqui no T-7.
Como vejo poucas vezes uma mensagem humanista e sincera sobre as paixões, medos, paranóias e preconceitos nos púlpitos, resolvi postá-lo aqui também, nesta coluna que há muito tempo não aparecia aqui no T-7.
*** * ***
Baseado no livro homônimo escrito por Cormac McCarthy, “A Estrada” (“The Road”) é um épico pós-apocalíptico irrepreensível.
Depois de uma catástrofe de proporções imensuráveis, o planeta está um caos – as belas paisagens se transformaram em um cenário de horror e desespero.
Os homens já se renderam aos instintos mais cruéis de sobrevivência e “humanidade” é um conceito que já não existe, a não ser por um pai (Vigo Mortensen) que caminha errante com seu filho (Kodi Smit-McPhee), em uma jornada de sobrevivência poucas vezes ilustrada no cinema.
Os homens já se renderam aos instintos mais cruéis de sobrevivência e “humanidade” é um conceito que já não existe, a não ser por um pai (Vigo Mortensen) que caminha errante com seu filho (Kodi Smit-McPhee), em uma jornada de sobrevivência poucas vezes ilustrada no cinema.
Antes que o filme atingisse seus 10 minutos, meus pensamentos e sentidos se aguçavam e meus olhos esqueceram-se do hábito (agora inútil) de piscar. A película dirigida por John Hillcoat (“The Proposition”) prende a atenção e nos conduz por um caminho de sensações intermináveis: medo, compaixão, pavor, piedade, surpresa e, talvez, admiração.
O elenco é formado por nomes conhecidos no cinema americano e outros nem tanto. Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Guy Pearce, Robert Duvall e Garret Dillahunt brilham e estarrecem qualquer um que se diga admirador da sétima arte com suas atuações.
Com atuações impecáveis e roteiro primoroso – repleto de inquietações sobre o valor da vida e a fragilidade dos sentimentos quando expostos ao desespero inesperado -, The Road é delicado e gentil em sua proposta, que nada mais é que oferecer, em meio às mais terríveis barbaridades humanas e à mais deplorável condição de sobrevivência à qual alguém pode se submeter, resquícios da “humanidade” perdida depois de anos convivendo com a morte e o caos. Enquanto alguns aderem ao canibalismo e outras maldades para sobreviver, outros poucos defendem com a própria vida aquilo que ainda lhes resta. Em um mundo destruído pelo cataclisma ocorrido há alguns anos, porém pouco explicado durante o filme, o que resta ao homem e seu filho nada mais é do que um ao outro – e um sentimento que os move à continuar no caminho, ou melhor, na estrada: o amor.
Com pouquíssimas falas e um visual deprimente, A Estrada não deixa a desejar: é um drama para ninguém botar defeito. Cenas marcantes, atuações louváveis e tudo que um bom drama sonha ter: um final “com chave de ouro” – para coroar com honra a mensagem central do filme: apesar de tudo, a esperança ainda não acabou.
Emocionante sem ser piegas. Profundo. Delicado e surpreendente.
Eu, que (confesso) não esperava muita coisa deste filme, não pude resistir à um esboço de lágrimas que se formou ao final do filme, ou ao vendaval de emoções em meu peito que me fez ter a certeza de que o assistirei outras vezes.
Fantástico!
by GG
O Reino (des)encantado da Vulgaridade
“A essência da vulgaridade está na falta de sensibilidade.”
(John Ruskin)
É triste ver como a cultura popular tem se tornado tão vulgar e tão imunda. É lamentável ter que vigiar o que nossos filhos assistem, com quem conversam no MSN, o que assistem na TV, os filmes que escolhem na locadora, as amizades que selecionam ter, e ainda assim não sentir segurança. Apesar de todo cuidado, ainda falta-nos a certeza de que tudo estará bem.
Onde estão os filmes que fizeram que eu me apaixonasse perdidamente pelo cinema, os livros que nos ensinavam e alimentavam nosso prazer – quase sempre insubstituível – de ter a literatura como companheira, as belas canções que tocavam nossos corações ou transformavam nosso modo de agir, pensar e viver? Para encontrá-los, é preciso paciência, afinco e coragem: o tesouro não está visível e a dificuldade de encontrá-los é uma aventura perigosa.
Conversando com um amigo, que teve a capacidade de me apresentar a letra de uma certa música chamada “Surra de Bunda” (se é que podemos chamar isso de música), tive a certeza de que o reino da vulgaridade cresceu e consolidou-se em nosso meio.
A tal letra fez-me sentir um incompetente: como fazer brilhar a luz de Cristo e fazer prevalecer os princípios familiares em um mundo que prefere olhar para a bunda de uma mulher e desejá-la, como se mulheres fossem objetos descartáveis, ítens colecionáveis ou instrumentos sexuais? O que é mais fácil: convencer um drogado a se tratare ou um viciado em pornografia a abandonar sua conduta?
Que safado, tá gostando!
Tá achando muito bom…
Vendo bunda rebolando e descendo até o chão!
Tá achando muito facil
Com a tequila, tá chapado
Deixa ele experimentar…
A nossa surra de bunda!!!
Bate com a bunda, bate com a bunda!
Bate , bate, bate ! Com a bunda!!!
Bate com bunda, bate com a bunda!
Bate , bate ! Com a bunda!!!
Esta letra é inacreditável! Como nos rebaixamos tanto? Onde foi que nós deixamos cair a nossa moralidade? Será que realmente compreendemos o significado de “liberdade de expressão” ou simplesmente o moldamos conforme a necessidade da ocasião?
O mais triste, porém, é que fomos nós mesmos que construímos o legado de impureza e futilidade que deixaremos para nossos filhos. O fizemos com o rastro deixado pelos nosso comodismo. Nos sentamos com um grande balde de pipoca e nos divertimos com tudo que a TV vomita em nosso colo dia e noite: pura imbecilidade!
A decisão agora é nossa: ou continuamos nesta estrada imunda que não dará em lugar nenhum, ou pegamos a estreita e perigosa contra-mão do sistema.
by GG
Somos pecadores
“Há uma cruz no fim do túnel” (Paulo Brabo)
A cruz ainda permanece uma vergonha para muitos que, ao invés de tomarem como suficiente a imensurável Graça, preferem a dor do holocausto (ou sacrifício de tolo), tapando o sol com a peneira, tentando recompensar o pecado com auto punições desnecessárias.
Não há nada que possamos fazer para abater o preço que foi pago. “Está consumado”. A dor que escreveu os versos mais densos e cruéis do poema da cruz não pode ser substituída. Não existem jejuns, orações, penitências, promessas, sacrifícios, lágrimas ou boas ações que nos justifique – somente a cruz nos limpa e erradica de nossa vida a morte que o pecado injeta em nossas veias.
A cada novo dia, o veneno da injustiça corre em nosso sangue e corrompe nossa fé – a não ser que estejamos vacinados com o Remédio do Calvário, o mesmo que pode transformar o mais vil criminoso em um homem de Deus, irrepreensível e justificado pela Graça Divina.
A gentileza de Deus em nos fazer limpos não é (e jamais poderá ser) inferior aos sacrifícios tolos que estão ao alcance de nossas mãos.
Somos pecadores, mentirosos, covardes, injustos, bobos, cafajestes, preguiçosos, cruéis, impacientes ou simplesmente inseguros. Mas o amor manifesto na cruz nos fez um com Àquele que consumou o sacrifício final, nos fez co-herdeiros daquele que venceu a morte para nos dar a vida, e vida em abundância e nos reconciliou com o Pai que não abre mão de nos amar.
Para nossa alegria, o que satisfará nossos corações não será ver o nosso próprio sangue derramado nas páginas sombrias de nossa vida, mas sim o cavalheirismo de um Deus cujo amor não se pode medir.
A sua Graça nos basta.
by GG
Quando se está só
Dica do Rick Serrat.
Pierrot e o Beijo da Morte
Quem criou o amor? Quem teceu suas artérias inquietas? Quem foi este louco que ousou arquitetar o mais complexo sentimento?
Ouvi dizer, lá pelas tantas da madrugada, numa conversa mole que tive com um palhaço com cara de deprimido na Esquina da Amargura que um tal de Pierrot fora o primeiro a moldar, dentro de si mesmo, o tal do amor.
Pierrot – contou-me o palhaço – sentou solitário em sua adega, danou a beber e, depois de ter-se embriagado o suficiente, cometeu o amor.
Segundo me disse o rapaz, Pierrot arrancou do peito um pedaço do seu próprio coração, misturou vinagre, uma medida cautelosa de Delícias-do-Bosque, duas folhas de Mais-Amarga e uma pitada quase insignificante de Sorriso em Pó. Juntou tudo e inventou de experimentar sua criação.
Pierrot, então, apaixonou-se por Colombina, uma velha feia e esquisita, a quem ele mesmo enfeitiçou, transformando-a na mulher mais bela de todo Reino – bem vestida, coberta de jóias e eternamente jovem.
Em um dia normal como qualquer outro, porém, Pierrot, como era de costume, consultou o Homem Que Sabia o Futuro, que morava sozinho dentro de seus olhos, bem ao lado da Íris, e viu o que estava por vir: Arlequim, seu maior inimigo, lhe roubaria Colombina.
Como as previsões do Homem Que Sabia o Futuro jamais erravam, Pierrot enlouqueceu. Passou noites inteiras planejando um plano alternativo para seu futuro. Viajou quilômetros atrás das Fiandeiras do Tempo, contou-lhes o que deveria ser feito e voltou para casa.
Quanto lá chegou, encontrou Colombina perdida de amor por Arlequim, o Cafajeste dos Cafajestes – Senhor da Discórdia e da Mentira – que envenenou Colombina com um fruto embebido em veneno.
Pierrot encarcerou-se no topo do castelo, até o dia em que o plano entregue as Fiandeiras aconteceu: com o mesmo pedaço com o qual criara o amor, Pierrot criou um filho. A este filho deu o nome de Amor-Maior – homem forte e poderoso que só poderia ser morto com a magia mais cruel: o Beijo da Morte. No entanto, Amor-Maior deveria, segundo os planos do Pierrot, morrer em troca da liberdade de Colombina e, depois de morto, sua alma resgataria a dela, e viveriam felizes para sempre.
Eram quase cinco da madrugada e o palhaço jogado na Esquina da Amargura era incansável. No auge de sua história sobre Pierrot, Colombina e Amor-Maior, o palhaço vibrava sacudindo os braços enquanto me contava que o plano de Pierrot dera certo. Colombina estava livre para sempre.
Me adiantei, tentando terminar, sem o sucesso que pretendia, a história do palhaço:
– E viveram felizes para sempre?
– Não, meu senhor… Ó, que tristeza. A Colombina, recentemente, deixou Pierrot de lado e corre dia e noite atrás de Arlequim, fazendo suas vontades e realizando seus desejos.
Engoli seco e me preparei para ir embora – aquela história, assim como muitas outras que vi e vivi, não teria um final feliz – a não ser que ainda não houvesse terminado.
Olhei nos olhos do palhaço, sujo e debilitado, coberto em papelão no frio da noite, e estendi a ele a mão direita:
– Desculpe-me, mas tenho que ir embora. Qualquer dia nos vemos pelas Estradas da Vida, senhor… como é mesmo seu nome?
Foi quando uma última lágrima começou a desceu pelo rosto do rapaz, mas parou pouco abaixo dos olhos – e ali ficará, até o dia em que o Tempo deixe de existir para sempre.
by GG






























