Crônica Encomendada: “Está Lá”

por Gustavo Guilherme

Casar é abandonar uma rotina e abraçar outra. É tirar o trem dos trilhos confortáveis da família e se aventurar na ferrovia dos braços de um homem que não é seu pai. É observar-se partindo… partindo de casa e partindo o coração de sua mãe que chorará escondida pelos cantos, ocultando de outros olhos a saudade que fica.

Casar é amar um desconhecido e, ao mesmo tempo, conhecer aos poucos quem se ama. E não se engane, essa tarefa é complicada. Conhecer alguém a cada dia só para, depois de décadas, descobrir que ainda não o conhece tão bem assim. É missão ingrata! É de roer as unhas do pé! É de colher cabelos antes da ceifa! Read more

#Resenhando 003: “O assassinato de Roger Ackroyd”

Meu pai foi montando um acervo de livros para estudo pessoal. O que ele não imaginou, é que estes livros seriam um grande patrimônio para mim.

Hoje, eu tenho mais de mil livros, e amo este mundo. A cada dia, este número aumenta.

Tenho livros de todos os tipos. Bons e ruins. Entre os bons, estão os livros de Agatha Christie. Eu não tenho dúvidas que ela é minha escritora favorita. E é exatamente sobre a Duquesa da Morte que iremos falar.

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Os filmes mais interessantes que vi em 2011

O ano que passou foi um ano incomum. Apesar das muitas estreias, pouca coisa me fez sorrir ou chorar dentro da sala de cinema. Não que boas obras não tenham chegado por aqui, mas as que sobreviveram ao turbilhão de Blockbusters foram poucas. Pouquíssimas.

Muitos filmes que aguardávamos ver em 2010 só chegaram aqui no ano seguinte e, por isso, o título deste post se refere somente aos filmes que vi em 2011.Se você sentir falta de algum filme que achou espetacular, sensacional, estupendo ou qualquer coisa do tipo, é porque não o vi ainda, ou já o tinha visto em 2010, ou porque simplesmente não achei o tal filmaço essa Coca-cola toda. Read more

Em que Esperar

por Thamy Albuquerque

Depois de “anos” (sim, exagerei!) sem postar, cá estou eu novamente! Não sei ao certo o que me manteve tanto tempo longe do blog, longe das letras, longe da exposição dos meus pensamentos, mas sei o que me trouxe de volta: o desejo enorme de voltar a compartilhar o que penso com vocês, leitores dessa preciosa ferramenta de divulgação de idéias!

Ao longo desses meses tenho observado tantas coisas que fico na dúvida sobre qual assunto abordar nesse texto de retorno. Mas logo lembrei em que época estamos e quero compartilhar rapidamente com vocês algo que sempre me incomoda em finais e inícios de ano. Read more

Dexter Morgan, padroeiro do século XXI

por Paulo Brabo

Não chegou até mim arte televisiva contemporânea mais bem escrita do que Dexter, o seriado norte-americano sobre um assassino em série que mata assassinos em série. E não se trata só dos enredos bem amarrados, do uso inteligente e bem-humorado das narrações em off, das ambições shakespearianas dos arcos narrativos e da construção de edifícios de suspense mais altos do que se considerava humanamente concebível. Há a questão do discurso além do discurso, a questão de um arranque criativo semiconsciente que mostra-se tanto uma precisa captura do espírito da época quando uma inclemente reflexão sobre ele.

Sinto-me tentado a escrever volumes sobre Dexter; permita-me impor uma página ou duas. Read more

Traço de Arrodeio

Fonte: Bacia das Almas

Eu quero ser inteiro denovo

por José Roberto Jacó

O propósito de Deus para o corpo

O corpo de Adão era exatamente como o nosso; basicamente a mesma altura média, e como eu sempre digo, o nosso primeiro Pai devia ser muito bonito, pois foi feito com as próprias mãos do criador. Os prazeres ligados principalmente ao corpo, como: o sexo, a alimentação, exercício físico e outros, estavam em total disciplina e equilíbrio, não havendo qualquer desajuste fisiológico.

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Gênesis 1:27 Read more

O diabo que se apaixonou por Deus

por Paulo Brabo

Certo diabo apaixonou-se por Deus sem nunca tê-lo visto. Depois de preparar-se por longo tempo, e com a ajuda de um informante, conseguiu infiltrar-se no complexo celeste e foi comprando com subornos, nível após nível, a vasta hierarquia de segurança que o separava da presença divina. Esse trajeto demorou muitos anos.

Naquela tarde o diabo molhou a mão do penúltimo intermediário e adentrou a ante-sala do trono por uma portinha lateral de serviço, junto da qual o esperava um anjo de cavanhaque e costas muito largas.

– Entre de uma vez – ordenou o anjo, e fechou a porta logo em seguida. A vinte passos deles, alto como uma montanha, dormia em sua cadeira o guardião da sala do trono.

Sem qualquer outro intercâmbio eles transpuseram o espaço até junto da porta da proposição, que está sempre fechada e cujas folhas esculpidas em madeira e revestidas de ouro têm cento e quarenta e quatro mil anos-luz de altura.

– Então – disse o anjo, quando estacaram diante da porta e avaliaram-se pela primeira e pela última vez – é você o diabo que apaixonou-se por Deus e vem procurando uma oportunidade de encontrar-se com ele.

– Apenas me poupe desse ar de superioridade moral – respondeu o diabo, ignorando a pergunta. – porque você sabe muito bem que somos muito parecidos. Nós no inferno odiamos tanto o pecado quanto vocês deste lado do abismo. Se estivesse prestando atenção, perceberia que são só os pecadores, os apóstatas e réprobos que nós atormentamos. Só os pecadores podem ser tentados, e só eles conhecerão a aflição da nossa miséria e do nosso desespero. Os santos, os valorosos e puros despertam apenas nossa admiração; nesses não ousaríamos tocar.

– Ou talvez seja nisso que você quer que eu acredite.

– Acredite no que quiser – pediu o diabo. – Apenas saiba, porque não tenho outra a pessoa a quem dizer, que foi justamente esse amor pela integridade e esse desprezo pela corrupção que fizeram com que eu me apaixonasse pela imagem divina.

O anjo deu de ombros e empurrou a porta, que era tão pesada e vasta que foram necessários mil anos para abrir uma fresta pela qual o diabo pudesse passar. A porta rangeu formidavelmente, mas o guardião em sua cadeira não se moveu nem despertou. Read more

Qual o sentido de fazer e ler literatura hoje?

por Ítalo Meneghetti

Nos diversos lugares aonde vou, sempre encontro alguém disposto a me perguntar se existe algum sentido para a literatura no mundo contemporâneo. Confesso que a resposta é, a um só tempo, óbvia e complexa. Explico. A força do pensamento literário é inegável em qualquer tempo e lugar. Por isso, óbvia a resposta. Porém, a literatura se constrói da substância mais abstrata do pensamento humano e, portanto, num mundo cada vez mais materialista, sem ideais nem sonhos, no qual o imediatismo tem sido a marca mais consumida e consumada das sociedades, pode ser que a literatura esteja fora de lugar e tempo. Vejamos.

Todos sabemos que o ato da leitura literária é sempre uma viagem. Mais ainda: que escrever literatura é verdadeira ousadia e desafio. Que o digam os escritores de carreira. Afirmam os neurolinguistas que a escrita literária mobiliza toda a nossa capacidade neuronial, bem mais do que indecifráveis equações matemáticas ou mirabolantes jogadas de xadrez. O texto literário por escrever é a requisição cerebral em toda a sua complexidade, verdadeiro exercício de comunicação entre neurônios, algazarra de sinapses em nossa massa cinzenta.

Se a leitura do texto literário é sempre um acontecimento especial em nossas vidas e que pode ser, definitivamente, marcante e transformador, imaginem o que a escrita do texto literário deve ser na vida de alguém?

Verdadeiro impacto, a escrita do texto literário desloca a pessoa para dimensões impensáveis de si mesma. A remete a lugares da alma nunca antes sondados. Atiça o espírito no rastro da luz, ainda que o texto só “fale” de trevas (humanas), como em Charles Bukowski, Plínio Marcos e Nelson Rodrigues, por exemplo. Afinal, literatura não é religião e nem se pretende, no sentido institucional e formatador de pessoas. E espírito é bem mais termo para expressar a potência da mente humana diante do enigma da existência do que conceito dogmático de falaciosos discursos sobre quem somos em nome de uma noção de Deus e todo o assédio e sanha financeira e política que isso pode gerar. Read more

Curta-Metragem: “Inside”

Excelente!