As Crônicas do Fim – Episódio 12: “Morte”
by Gustavo Guilherme
Um tornado de memórias desencontradas me perturbava.
As informações que Madalo acabara de me apresentar eram assombrosas e estranhas demais para meu cérebro exausto. Segundo Mundo, Segas, Agentes, Engenheiros e Vírus. Eu só queria que tudo aquilo explodisse e que minha vida voltasse ao normal.
Mas, que vida? Afinal, qual era o limite entre os dois mundos? Em qual das duas realidades estava escrita a minha vida verdadeira? O grande e feroz lobo fenrir que me atacara nas ruínas de Minos, a sombra que me salvara de seu ataque voraz, os sonhos antes de acordar no quarto medonho, imagens estranhas do corpo dilacerado de um bebê e a marca queimada em meu pescoço… Recordações ou ilusão?
Em minha memória ainda persistia uma longa história de vida: a minha vida! Mas, eram tais lembranças verdadeiras? Eu realmente perambulara pelas ruínas da velha cidade? O lobo e a sombra do bom samaritano que me resgatara realmente existiram ou foram projeções daquele Segundo Mundo? O vulto que me perseguira em Minos realmente compartilhara comigo o ar cidade destruída? E o pobre defunto de bebê jogado à beira da estrada, teria sido real?
Talvez estas partes da história tivessem acontecido antes de eu ser capturado e submetido a tal experiência. Talvez o homem que atirara no lobo era na verdade um enviado dos Engenheiros para capturar mais uma cobaia para o Carpe Morti, ou talvez já estivesse imerso nos efeitos do parasita desde antes destes acontecimentos.
E as imagens pessoais que ainda perturbavam minhas recordações? A família que vi morrer diante de meus olhos, o irmão que deixei para trás em alguma tribo? E as pessoas que conheci no decorrer de minha peregrinação? Seria tudo isso irreal, projeção de um sistema de computador criado por homens comuns?
A única certeza que ainda tinha era a de querer sair dali.
Se ainda restasse algum Agente, Sega ou qualquer outra projeção ambulante deste mundo artificial, teria um imenso prazer em aniquilá-los com minhas próprias mãos. Afinal, não eram reais. Não passavam de um pesadelo programado. Read more
Poderes Ocultos – Capítulo 13: Cães e Raposas
by Joder Filho
No hospital, Camila voltava para seu posto na recepção, um pouco mais calma e concentrada. O choro havia parado e, pouco a pouco a jovem se recompunha. Trabalharia para se distrair. Concentrar-se no trabalho sempre a ajudara a esquecer os problemas por algumas horas. E isso, muitas vezes era essencial. Dessa vez seria diferente. Não sabia bem como, mas tinha certeza que não importava quantas horas ela trabalhasse Diogo não estaria a esperando no fim do dia. Não veria por um bom tempo o sorriso reconfortante e os olhos gentis do namorado, nem sentiria o cheiro dos cabelos castanhos dele. Camila amava e confiava em Deus, mas, aparentemente, uma coisa é dizer que confia enquanto tudo está bem, outra é agir assim quando o mesmo Deus leva alguém que se ama.
Chegando a recepção, percebeu dois homens parados à espera de atendimento no balcão onde ficava. A chegada dos dois espantara por hora os pensamentos que a jovem tinha. Eram tipos estranhos. Ambos eram grandes, com o corpo visivelmente malhado e trabalhado. Como os que passavam o dia todo numa academia puxando ferro e levantando pesos. Ambos estavam de camisa social clara e calças sociais pretas, combinando com os sapatos. Camila passou por eles dizendo um “bom dia” o mais animado que pôde e tomou seu posto no balcão. Nenhum dos dois respondeu ao cumprimento. Ao invés disso, o mais alto já foi perguntando:
– Jairo Abrantes. Em que quarto está? – disse num tom grave e firme. Camila não se importou com a falta de educação. Estava acostumada a isso. em vez de ser rude, aprendera a provar seu profissionalismo estampando o mesmo sorriso de sempre e respondendo sem se abalar.
– O senhor é parente?
– Não. Sou policial federal – disse mostrando o distintivo preso ao cinto. O parceiro mudo imitou o gesto e só agora Camila percebia que ambos tinham, além dos distintivos, um coldre preso ao cinto, portando pistolas automáticas. O pai de Camila fora policial por mais de vinte e cinco anos, logo, ela tinha certo conhecimento em armas e até em legislações criminais. Talvez por isso ou por puro instinto a jovem notou que algo estava fora do lugar em relação aqueles dois, só não sabia bem o quê.
Baixou os olhos e começou a digitar o nome no cadastro. O computador levou dez segundos procurando e voltou com um apito de alerta. Nenhum resultado encontrado.
– Não temos nenhum paciente com esse nome. Tem certeza que está no hospital certo, senhor? – ele ficou visivelmente irritado. O outro, que até agora não se pronunciara tomou a dianteira.
– Talvez esteja como Jairo, simplesmente. Deve ter chegado recentemente. Read more
As Crônicas do Fim – Episódio 11: “Segundo Mundo”
by Gustavo Guilherme
Ao meu redor só havia morte.
Os corpos humanos outrora pendurados em correntes agora jaziam espatifados ao chão, dilacerados, irreconhecíveis e sem sinal de vida. As carcaças dos Agentes que há pouco nos atacavam com ferocidade agora se mantinham inertes, exânimes sob o teto da grande sala tenebrosa.
O pandemônio que se formara me causava náuseas e desconforto. Me sentia terrivelmente perturbado e meu estômago grunhia em dores agudas e constantes.
Madalo se aproximou do homem com a Winshester. Ele ainda respirava desacordado ao pé do umbral de entrada do saguão. Minhas mãos tremiam. Apesar das inúmeras dúvidas em minha mente, não conseguia formular uma pergunta sequer. Tudo estava confuso, as idéias se misturavam em minha cabeça e nada fazia sentido.
O clarão azulado, a aparente paranormalidade de Madalo e toda aquela força, aquele poder. Tudo era assustador.
– Lazarus, preciso da sua ajuda aqui. – disse Madalo, agachando próximo ao corpo imóvel do homem e agindo como se nada de anormal houvesse acontecido.
Meu parceiro, o mesmo que acabara de irradiar uma imensa bola de energia azul de suas mãos e que havia, assim, derrotado nossos inimigos com um único e estranho golpe, agora pedia minha ajuda? Eu não poderia estar mais confuso. A única indagação que ainda ecoava inquieta em minha memória esvaiu, meio sem jeito, de minha boca fria:
– Que merda foi essa, Madalo?
Ele me encarou, sério e concentrado.
– Eu vou explicar. Mas antes, precisamos dar um jeito neste Sega. – ele disse a última palavra olhando de volta para o homem da arma. Em sua voz havia um leve tom de urgência.
“Sega”. Em toda minha existência, jamais havia escutado aquela palavra. Não tinha a menor idéia do que ela significava. E, na verdade, não tinha noção alguma sobre do que se tratava todo aquele caos. Por um instante, tive a sensação de estar sonhando, perdido em alguma dimensão irreal ou preso em uma realidade alternativa. Me senti totalmente deslocado, longe de onde deveria estar.
– Sega? – indaguei.
Madalo se virou novamente. Sua feição outrora centrada tornara-se zombeteira de repente. Um meio sorriso marcava um dos cantos de sua boca e um estranho brilho surgira em seu olhar. O timbre de sua voz retomou o tom costumeiramente divertido:
– Você é realmente um asno. Não faz a menor idéia do que é tudo isso não é?
Meio sem jeito, balancei a cabeça negativamente. Era como se Madalo lesse as inquietações e dúvidas que se agitavam em minha cabeça cansada.
A mesma pergunta imbecil de antes evaporou de meus lábios…
– Que merda toda é essa, Madalo? – senti minhas mãos úmidas e frias – Que história é essa de Grande Senhorio, Agentes, o Brilho Azul e esse tal de Sega?
Ele sorriu e caminhou alguns passos em minha direção, deixando o homem da Winshester fora de prioridade por alguns instantes.
– Lazarus, se tivesse alguma cadeira neste recinto, eu lhe aconselharia que se sentasse… É uma longa história. Read more
Poderes Ocultos – Capítulo 12: Visitante

by Joder Filho
– Tá tudo bem, pai? – a voz de Susana acordou Augusto dos devaneios em que se encontrava – O senhor está estranho.
– Não, querida. Deve ser impressão sua – disse exibindo aquele sorriso paternal que tanto agradava a jovem. Estendeu o braço e ela sentou-se ao seu lado, envolvida no abraço dele. – Só estou preocupado com algumas coisas, nada demais.
– “Preocupado” é a melhor palavra que encontrou pra tudo isso? – disse ela se divertindo – Eu, no seu lugar, já teria fritado todos os miolos.
– Pra sorte de vocês, eu ainda tenho o controle disso – ele disse numa risada leve. – Como se sente, meu amor?
– Nem sei dizer – disse levantando as mãos – Acho que a melhor palavra pra definir é “feliz”. Simplesmente feliz. Depois de tanto tempo lutando e orando, finalmente Deus me cura do câncer num milagre, e ainda me recupera tudo em menos de dois dias.
– E te deu um dom. – Augusto completou. Read more
Poderes Ocultos – Capítulo 11: Paciente
by Joder Filho
A atendente chorava sozinha.
Como tantas outras noites de sua vida, a jovem se via perdida, sem respostas e com o coração apertado, orando pra que tudo aquilo acabasse logo. Em geral, adormecia assim, embalada pelas lágrimas, esperando que o dia simplesmente viesse e que os raios do sol e a luz magicamente mandassem embora todo e qualquer problema.
Sentada sozinha em sua cadeira, praguejava contra si mesma, lamentando o fato de não estar lá. Ela deveria cuidar dele, afinal, ele sempre esteve lá por ela.
Ainda enxugava as lágrimas quando as duas irromperam pela porta, carregando pelos braços um rapaz desacordado. Elas já vinham pedindo ajuda a todos e pareciam desesperadas, quando a atendente correu para acudi-las. Read more
As Crônicas do Fim – Episódio 10: “Azul”
by Gustavo Guilherme
Antes que pudesse verificar a origem do disparo, notei que o monstrengo fora baleado na testa, em cheio, e agora seu corpanzil aniquilado despencava em minha direção.
Numa tentativa insana de me desviar da aberração, tropecei no ogro gordo e caí. Meu queixo encontrou o chão com um impacto que me deixou tonto. Atordoado, escutei um segundo tiro e o barulho deste agravou minha confusão. Eu estava afoito, patético como uma barata em fuga. Se não me concentrasse, o monstro logo me esmagaria.
Rastejei depressa para algum canto da sala, de olhos fechados e gemendo. E assim que minhas mãos tocaram uma parede nojenta coberta de lodo, sangue e pedaços de carne humana, me encolhi como uma criança medrosa. O Agente gigantesco caiu baleado a poucos centímetros de minhas pernas, causando um estrondo ensurdecedor na sala e levantando uma espessa camada negra de poeira.
Esperei alguns instantes antes de suspirar aliviado. Só então, ainda trêmulo e um pouco desnorteado, consegui virar os olhos na direção de quem fora o responsável pelos disparos. De pé na porta, um homem vestia-se com o mesmo indumento dos Agentes, mas sem a máscara de gás, aparentava ter a minha idade, exibia longos cabelos negros e era incrivelmente alto. Sua pele tinha um estranho tom esverdeado e, em suas mãos, uma velha Winshester 44 exalava um fio tênue de fumaça cinza. Read more
Poderes Ocultos – Capítulo 10: As Peças do Jogo

by Joder Filho
A sensação que sentia era inebriante. Quanto mais experimentava, mais queria, e mais temia o que viria a receber. Era tanto poder. Tão imenso e ao mesmo tempo tão desconhecido.
Augusto tinha certeza de que o garoto era poderoso. Todos eram. E também sabia que ele se destacaria dentre todos. Mas aquilo era inimaginável. O garoto possuía poderes maiores do que os seus, e alem da compreensão do sacerdote. Era claro que Deus deveria ter um propósito muito especial para ele. Ainda não sabia como e nem porque, mas Deus transformara aquele reles garoto numa arma de batalha nunca antes vista. Alguém que todos temeriam. Inclusive Augusto. Aquilo era maravilhoso e ainda assim, imensamente perigoso. Ele precisava domar o garoto. Precisava dobrá-lo aos seus preceitos e fazer dele uma ferramenta sob seu comando. Era isso que queria, era isso que precisava. E nada, nem ninguém iria atrapalhá-lo em sua empreitada. Nem mesmo Deus. Read more
As Crônicas do Fim – Episódio 09: “O Parasita”

by Gustavo Guilherme
Nossa única chance de escapar ilesos daquele lugar era passando pela sala macabra.
A câmara era circular de paredes escuras, contraste intenso ao restante do edifício com suas paredes alvas e limpas. O teto ogival abrigava, além das correntes de tortura, dois pares de lustres cujas poucas lâmpadas eram incapazes de iluminar bem o ambiente. O odor era insuportável, mesmo por trás da máscara.
Madalo olhava para mim e eu conseguia ouvir sua respiração ofegante. Ele levantou uma das mãos devagar, apontando-a pra frente, indicando que nossa missão era prosseguir.
Dei o primeiro passo e um dos monstros, agachado no meio da sala, rosnou. Encarei sua feição bizarra: o ser era esquelético, sua pele desprendia-se do que outrora fora um rosto e parte de seu crânio estava à mostra. Os dentes eram cinza, exceto em alguns cantos avermelhados onde ainda havia pedaços de carne humana, provavelmente restos da última refeição.
Parei, tentando não demonstrar irritação ou qualquer resposta à manifestação do Agente. Voltei meus olhos para Madalo, que ainda permanecia imóvel ao meu lado.
Experimentei o segundo passo e, desta vez, não houve rosnado, rugido ou qualquer outro som além do barulho da respiração de Madalo, era possível ouvi-lo a muitos metros de distância. Madalo não estava bem. Eu o encarei, esperando que ele me desse algum sinal, algo que me indicasse o que fazer. Mas meu parceiro não se moveu.
Endireitei-me lentamente, aplicando um terceiro passo que foi imediatamente seguido por outro monstro, um tipo um pouco mais gordo, mas igualmente devastado. Sem pele no rosto e coberto de larvas e insetos da cabeça aos pés. Músculos, gordura e esqueleto eram visíveis e, na altura do abdômen, parte de suas entranhas saíam de uma abertura mediana feita por algum ferimento grave. Este Agente, ao ver minha movimentação, moveu-se exatamente como eu. Read more
As Crônicas do Fim – Episódio 08: “Labirinto”

by Gustavo Guilherme
Meu corpo exalava adrenalina enquanto meu coração ansioso dançava em ritmos frenéticos dentro do peito.
– Lazarus – Madalo me dava instruções de sobrevivência pouco antes de vestir a máscara –, ande devagar e um pouco encurvado para frente, não faça barulho e não diga nada em hipótese alguma.
A bizarra sabedoria de Madalo me intrigava, mas o tempo das indagações chegaria em breve. Concordei com ele, notando novas sensações percorrerem meu corpo.
A escassez de água, a guerra, a vida que fui forçado a deixar para trás, os mistérios de um passado longínquo, nada mais me preocupava. Já não me importava com possíveis conseqüências à nossa investida de fuga, ou com a possibilidade de falharmos em nosso plano. Tensão e medo não me amedrontavam mais. Todo o desespero e incerteza de antes se transformaram em esperança.
Em meu peito, a pequena placa: “Amitab Geradict. Matrícula 1308/2038 – Sessão Damacom, Projeto Carpe Morti” – a estranha identificação que outrora pertencera a um monstro era agora meu disfarce, meu passaporte para fora daquelas paredes.
Madalo e eu havíamos colocado os corpos desacordados dos Agentes sobre os leitos e agora caminhávamos silenciosos pelos corredores do misterioso prédio. Deixamos para trás a porta do quarto fechada, devidamente trancada com as chaves que roubamos juntamente com os uniformes.
Atrás da máscara, quando já nos esgueirávamos pelos corredores do edifício, meus olhos enxergavam paredes muito brancas. A botina que envolvia meus pés pisava firme sobre o piso igualmente alvo e surpreendentemente limpo.
Resgatei da mente as hipóteses que havia formado sobre aquele lugar. Poderíamos estar fugindo de um manicômio, de um hospital, de uma base militar ou até mesmo de alguma tribo que se formara naquele estranho lugar. Passávamos por outras portas e, às vezes, cruzávamos com outras duplas de Agentes que, por sua vez, não nos cumprimentavam, passando por nós como se não nos notassem. Um pouco corcundas, andavam obstinados, mas com lentidão. Não emitiam sons além daqueles provenientes de seus passos e da respiração difícil por trás das máscaras. Pareciam fantasmas, robôs ou… zumbis. Read more
Poderes Ocultos – Capítulo 9: Sob Controle
by Joder Filho
O ar lhe fugia dos pulmões. Sentia o medo se formar na barriga ao mesmo tempo em que a confusão se gerava no cérebro, como gêmeos malditos de um pesadelo sem fim. Piscou os olhos várias vezes na esperança de que fosse só sua visão embaçada. Inútil. Suas mãos e braços tremiam compulsivamente. Tentou novamente se pôr de pé, mas as pernas não paravam no lugar.
Afastou-se arrastando tentando fugir do reflexo na poça. Encostada numa parede do beco, Ângela sentiu vontade de chorar, mas, incrivelmente, as lagrimas não desciam. Era como se ela não soubesse mais fazer nada. Não conseguia andar ou se colocar de pé, não conseguia parar de tremer, e o mais triste de tudo, não conseguia chorar. Era o poder! Só podia ser isso. Essa era a resposta pra toda aquela insanidade que a acometia.
Larissa havia dito que ela possuía pessoas. Era seu dom. Tentou se lembrar do que acontecera antes de apagar. Lembrou-se de Larissa saindo do beco. Lembrou-se da confusão em sua mente. E, finalmente, lembrou-se de Jairo. Lembrou dele sorrindo para ela e do quanto aquilo confortara seu coração. Ele a estendeu a mão, ela o tocou e tudo ficou escuro. Agora sabia o que havia acontecido. O dom fora despertado. Ela tomara posse do corpo de Jairo como os demônios e assombrações dos filmes de terror faziam. Ela queria sair. Queria acabar com aquilo e sua mente perdida formulava perguntas mais rápido do que conseguia responder qualquer uma delas. Como sair dali? Se havia mesmo possuído Jairo, o que teria acontecido com o rapaz? Se ela estava no corpo dele, onde estaria o dela? Como reverter o processo? E se não houvesse volta?
Ainda estava aturdida com tudo aquilo quando sentiu uma presença além da sua no beco. Virou a cabeça assustada e se deparou com Larissa encarando-a com uma sobrancelha levantada, como se tentasse entender tudo aquilo. Read more





























