#Microcontos: “Memória Seletiva”
Memória Seletiva
Não se lembrava de tê-la ouvido dizer que o deixaria. Arrependido, aguardou seu retorno por incontáveis eternidades.
#Microcontos: “Centralidade”
Centralidade
Deixou, outra vez, o amigo na mão. Estava ocupado, procurando alguém que o bajulasse e satisfizesse a ânsia de seu ego esfomeado.
Read more
#Microcontos: “Conveniência”

Conveniência
Decidiu indagar o Divino com questões fundamentais. Quando Deus retornou a ligação, com as respostas para suas dúvidas existencialistas, reconheceu o número no aparelho e deixou tocar até que ressoasse o som de sua própria voz, gravado na secretária eletrônica: “Desculpe, mas não posso atendê-lo agora. Por favor, deixe sua mensagem após o bip”.
Lições na Montanha – Ep. 01

por Thais Lira
Sexta-feira, junho de 1952
Olá amigos. Estou deixando essa carta a vocês, pois encontrei um mapa há poucos dias. Nele está um caminho o qual devo seguir. E sinto que já perdi muito tempo. Por isso, preparei lenha, comida, roupas fortes, e parti. Acho que vocês deviam fazer o mesmo.
Ouvi dizer que, para onde vou, existe água limpa e pura. Existem também frutos perfeitos e pedras preciosas a beira de lagos. E ouvi dizer que a areia é branca como as nuvens. Precisei mesmo partir! Cansei-me de ficar aqui, sentado nesta cadeira, fumando esse velho cachimbo, vendo as garotinhas se venderem para homens bem vestidos. Tive que ir! Estou exausto dessa vida solitária que tenho tido aqui.
Vocês são meus únicos amigos. E sei que irão me compreender. Não pensem em chamar a polícia. Estou muito certo da escolha que fiz. Podem notar que deixei toda a bebida que ainda restava na botija. Não quero ver nada além do que devo, pois se um dia me encontrarem, poderão dizer que tive alucinações… E não quero!
Prometo que pelo caminho, enviarei cartas. Pois levo comigo um pombo correio que comprei com as últimas moedas que tinha.
Nos falaremos em breve, amigos. Até mais
CONTINUA…
#Microcontos: “Alienígenas”

Alienígenas
Enfrentaram turbulência na fumaça dos carros da metrópole. Pousaram na avenida principal e se surpreenderam com a capacidade humana de autodestruição – deveras melhor que a parafernália que carregavam na espaçonave.
#Microcontos: “Epidemia”

Epidemia
Espalhou-se depressa o parasita hiperativo. Arruinou famílias e governos enquanto servia-se do despudor de velhotas desocupadas. Depois de semanas, arrumou as malas e partiu. Sorridente, esvaiu feito fumaça a nefasta fofoca.
#Microcontos: “Álcool”

Álcool
Embriagada, a vida passou a 120 por hora. Chegou mais cedo para o encontro fatal.
#Microcontos: “Atalho”

Atalho
Encontrou Deus à beira do caminho a conversar sorridente com um moribundo. Fingiu que não O conhecia e desembestou a correr para o atalho mais próximo.
#Microcontos – por Gustavo Guilherme

Microcontos…
Há alguns anos participei de uma coletânea de microcontos organizada por uma editora paulista chamada “Expresso 600″. Lembro bem de me perguntar “será possível?” e também de me sentir totalmente seduzido pela ideia de “contar uma história com, no máximo, 600 caracteres”, como diz o livreto publicado em março de 2006 pela Andross Editora. Tendo meu texto selecionado, revisado e publicado naquele compêndio, degustei por muito tempo o prazer de ter minha criação literária impessa, à página 33 da edição, sob o título “Último Desejo” e tendo meu pseudônimo em letras garrafais antes do texto:
“Sentou-se, contemplando o corpo da mulher que jazia na cama. Aliviado, tomou um gole do conhaque que restava no fundo da garrafa. Sentiu nos lábios um gosto sangrento. No rosto da falecida, um sorriso final.”
Depois da experiência, não publiquei mais nada. Entretanto, as marcas deixadas pela agilidade do estilo permaneceram em mim e já há algum tempo tenho me voltado ao desafio e postado em meu blog particular alguns microcontos e poesias (entre outras coisas). Read more
Sagrado Segredo

Um conto de Gustavo Guilherme
Beijou-a nos lábios densos e rosados, pressionando-lhe o corpo delgado contra a parede, atrás da velha igreja. As línguas se abraçavam em carícias delicadas, as mãos dele envolvendo a cintura fina da moça, ardor juvenil sob as sombras que incidiam do templo.
No interior do santuário, o pastor gritava exigências que não cumpria e mandamentos que inventara às pressas minutos antes daquele culto. Uma dúzia de crentes gritava júbilos impensados, reflexos involuntários da rotina diária de reuniões monótonas.
Enquanto ouviam os mantras evadirem das janelas, o casal de adolescentes se abraçava em carinhos indiscretos – como faziam todas as noites. Read more























