
Não se engane. O subtítulo “Confissões de um ex-dependente de igreja” não resume nem um pouco o conteúdo recompensador que encontrei em “A Bacia das Almas”.
É claro que alguns, por mero preconceito, criam certa repulsa ao observar tal subtítulo ou simplesmente ao passar por este livro na estante de uma livraria qualquer e não notar sua presença – ou fingir que não notou – já que aparentemente trata-se de um livro sobre igreja e religião, do ponto de vista de alguém que já não está mais “contaminado” por ambas.
No entanto, para a tristeza dos que recusaram o prazer que é ler Paulo Brabo, este subtítulo fala tão somente do próprio Brabo, e esconde a riqueza do texto belíssimo contido em “A Bacia das Almas”.
Fé, religião, política, literatura, pensamentos, inquietações, provocações e ideias são alguns dos assuntos tratados na Bacia – que nada mais é que a extensão do site http://www.baciadasalmas.com, onde Paulo Brabo ainda escreve suas confissões, medos, conceitos, mas nenhuma conclusão, afinal, como escreveu Ed René Kivitz – falando da bacia – a teologia não está pronta.
Expondo suas impressões sobre os mais variados assuntos, A Bacia das Almas nos entrega um relatório das ideias de seu autor, dentre as quais tive que concordar com muitas e discordar de algumas, sem no entanto desprezar a lucidez de seus argumentos.
Para quem tem coragem de deixar de lado seus (pre)conceitos para, no mínimo, compartilhar das impressões de outro, A Bacia é indispensável e fundamental.
No entanto, se você é daqueles que acreditam que nada do que te ensinaram está errado e que apenas as suas opiniões e virtudes são válidas e corretas, não ouse olhar para dentro da bacia, pois a surpresa será grande ao ver seu rosto e sua alma espalhados na superfície das confissões deste ex-dependente de igreja chamado Paulo Brabo.
Aliás, “cuidado, este livro traz confissões que podem ser as suas”.
Já é tradição de mercado brasileiro: excelentes filmes são excluídos do circuito cinematográfico e são lançados diretamente em DVD ou Blu-ray, como foi o caso do vencedor do Oscar de melhor filme este ano “Guerra ao Terror”, lançado diretamente em DVD por aqui ainda em 2009.
Mas, ao que tudo indica, este doloroso erro continuará acontecendo, se depender das distribuidoras brasileiras – “Lunar” (“Moon”) não teve e não terá sua vez na grande tela por aqui.
O filme de estreia do diretor Duncan Jones, filho do cantor David Bowie, estrelado pelo maravilhoso porém subestimado Sam Rockwell (“Frost/Nixon”), conta a história de Sam Bell (Rockwell), um astronauta contratado pelas Indústrias Lunar para uma missão de três anos na Lua: extrair uma substância essencial para renovar a energia da Terra, que passa por uma crise terrível. Dentro da Base Mineral Sarang, a única companhia de Sam é o computador Gerty (Kevin Spacey - voz).
No entanto, quando a missão na Lua está próxima de ser cumprida, coisas sem explicação começam a acontecer. Enquanto espera ansiosamente um novo funcionário da Lunar que virá substituí-lo, Sam começa a sofrer delírios e, durante um procedimento de rotina, acaba sendo vítima de um acidente que o deixa desacordado.
Ao despertar do desmaio, Sam Bell irá descobrir coisas terríveis sobre tudo aquilo que viveu nos últimos três anos em sua missão na Lua.
Apesar de sofrer com uma direção pouco primorosa – o que se explica pelo fato de este ser o primeiro filme de Duncan Jones como diretor -, “Lunar” sem sombra de dúvidas deverá ser lembrado como um clássico da ficção científica. A grande metáfora sobre o valor dos sentimentos humanos nos faz refletir e pensar sem parar durante todo o filme. O existencialismo – tema central de “Lunar”, e fator explorado do começo ao fim da película – nos é elucidado de maneira sensível, delicada e sem exageros.
Além disso, Sam Rockwell consegue segurar o espectador na cadeira sendo o único ator em tela, disponibilizando-nos o desfrute de uma atuação impecável e sensível.
Ainda que tenha sido totalmente ignorado pela academia, mesmo depois dos esforços de Jim Jarmush e do autor de quadrinhos Neil Gaiman para que Sam Rockwell fosse indicado ao Oscar de melhor ator, “Lunar” é uma verdadeira pérola da Ficção Científica, recheada de bom humor, suspense e carisma – tudo que um bom filme precisa ter.
Eu recomendo.
PS.: Assista ao trailer clicando aqui.
Antes de começar a expressar aqui meus argumentos, devo desde já pedir desculpas aos que de alguma forma se encantaram com a sinopse ou com o trailer deste filme. Devo também me desculpar com os que assistiram e gostaram, com os fãs de Peter Jackson e com os que acreditam na enrolação espiritual que é divulgada através deste bom filme.
Me interessei desde o início pelo que me é mostrado no trailer: menina morta, pais a procura dela e muito suspense. Lembro-me de ter me apaixonado também pelo elenco, antes mesmo do filme estrear em terras tupiniquins. E, sem sombra de dúvidas, o que mais me chamou atenção em “Um Olhar do Paraíso” (The Lovely Bones) foram as atuações. Mark Walberg fez meus olhos esbugalharem ao enxergar um ator diferente do que estava aconstumado. Saoirse Ronan, que já havia me deixado entusiasmado com sua impressonante atuação em “Desejo e Reparação”, aqui dá um banho em Rachel Weisz,que continua chorando, chorando, chorando e chorando (é uma boa atriz, mas me parece mal explorada)e na veterana Susan Sarandon, que dá o ar da graça. Mas o que realmente fez meu queixo cair foi ver a jovem Rose McIver se sustentar diante da malhor coisa do filme: Stanley Tucci. O veterano faz um dos melhores vilões que já vi em toda minha existência! Atuação primorosa e digna de reconhecimento público.
No entanto, existe um problema. Um único porém imenso problema. Quando o filme nos leva para o “paraíso” de Susie (Saoirse Ronan), personagem principal, assassinada aos 14 anos por um maníaco (Stanley Tucci), a trama perde ritmo, sentido e, principalmente, a graça do filme. Apesar do excelente trabalho dos atores, o filme conseguiu me dar sono quando o tal “paraíso” aparecia. Aliás, como chamar de “paraíso” um lugar onde fico preso ao meu assassinato; onde ainda tenho lembranças e, pior, onde ainda tenho um certo tipo de contato com o mundo real???? O título “um olhar do paraíso” mais parece uma piada, como se fosse uma espiadinha pela fechadura – a menina está morta, mas consegue ver os pais sofrendo sua perda, sua irmã crescendo e seu assassino vivo e impune, que grande paraíso!!! Se tirássemos do filme as cenas no outro mundo e recontássemos sua trama sem o blá-blá-blá espírita que envolve todo o enredo, teríamos um filme muito melhor.
A doutrina espírita não faz parte do meu credo, mas não me impede de assistir um filme que trate dela. Mas que isto seja feito com o mínimo de inteligência! Tentar me forçar a acreditar que é possível o contato entre vivos e mortos da maneira mais sem noção possível não vai me fazer engolir as idéias espíritas e, pior, vai me afastar do tema principal do filme: o amor da família pela tal menina morta. Aliás, só consegui entender esta mensagem quando o filme conseguiu voltar ao tema – nas últimas cenas do filme.
Enfim, retirando tudo que aconteceu no outro mundo e recontando a história, “Um Olhar do Paraíso” é sim um bom filme. No entanto, se você quer assisti-lo sem perder o foco na mensagem do filme, esqueça a tradução ridícula do título, traduza o original ao pé da letra: “The Lovely Bones” e descubra o quanto um pai (e uma mãe) pode amar uma filha, mesmo que a morte os separe.
“Substituos” (Surrogates) é, de longe, um dos piores filmes que assisti em toda a minha vida. Péssimas atuações, roteiro complicado e sem nenhum aprofundamento, foco nas questões erradas e a tentativa frustrada (e frustrante) de passar uma mensagem da maneira mais imbecil quanto possível.
A mania de achar que os espectadores são completos idiotas, como já escrevi em outra matéria aqui no Território 7, ainda persiste. O medo de expor alguns detalhes e revelar alguns aspectos totalmente irrelevantes da trama fazem deste “filmeco” uma pérola da inutilidade.
Bruce Willis consegue dar vida ao personagem (não ao substituto robótico, que mais parece alguns crentes que conheço por aí), mas o homem por trás da máquina, mas ainda assim não consegue segurar o filme, totalmente desprovido de qualquer qualidade que eu possa me lembrar agora.
Mas, mesmo com tantas falhas, ainda consegui fazer um paralelo do filme com a igreja dos dias de hoje.
Assim como em Substitutos, muitas pessoas preferem deixar o verdadeiro eu em casa e vestir suas máscaras de santidade para viver a “vida de comunhão” dentro dos templos sem demonstrar suas verdadeiras intenções. Muitos preferem comandar os seus “subtitutos”, santos e perfeitos, no conforto de seus pecados ocultos e de seu orgulho e presunção. A maioria dos que assumem seus erros e submetem-se a consequência de assumi-los, acaba sendo visto como escória de uma raça perfeita, que jamais comete falhas.
Assim como no filme, quando a nossa máscara cai e o impostor que em nós se esconde é revelado, alguns de nós ainda tenta se esconder atrás dos destroços deste substituto maldito que só nos afasta da presença do Senhor.
Portanto, aqui fica a dica: se for assistir este filme, faça-o tentando encontrar algo de bom… mas já aviso que esta sim, é uma missão impossível.
Li “A Cabana” já há algum tempo, mas só agora tomei coragem para escrever sobre ele.
O principal erro que cometemos ao ler um livro como este, é o de partirmos do pressuposto de que se trata de um livro “cristão”, com conteúdo evangelístico ou algo do tipo. Mesmo que, em sua mensagem principal, Willian P. Young induza-nos a crer em sua concepção de quem é Deus e de como Ele deseja se relacionar com a sua criação, “A Cabana” é uma ficção, e nós não podemos ignorar este fato. Cada parágrafo e cada palavra foram planejados e criados de modo que nos faça refletir na mensagem que está contida na obra literária de Young.
À partir do momento em que nos dispomos a ler uma ficção, independente do objetivo de sua mensagem, precisamos nos desprender de qualquer conceito pré determinado, analisando o livro unicamente por aquilo que nos é apresentado nas páginas que o constituem.
Quando comecei a leitura de “A Cabana”, não tinha me tocado da grandiosidade das palavras que se desdobravam diante dos meus olhos. Minhas concepções pré determinadas e meu preconceito não me permitia observar além das palavras. À princípio me afastei da leitura do livro por um longo mês. Não conseguia engolir as idéias desprendidas de Young e tampouco aprender com elas, mas a história que comecei a conhecer me incomodava a cada dia que passava, até o momento que tomei coragem e retomei a leitura, agora tentando me desvencilhar de meus conceitos pré determinados pela minha “bagagem cultural”.
“A Cabana” surpreendeu-me quando notei que a essência da mensagem conseguiu superar a polêmica, caminho escolhido pelo autor para nos apresentar as personagens. Parece que minhas idéias sobre todos os elementos do texto me impediam de enxergar além dele. O que quero dizer é que, enquanto não formos maduros para “analisar tudo e reter o que é bom”, não poderemos nos aventurar pelas páginas de “A Cabana” sem desprezar as riquezas nele contidas.
“A Cabana” é cheio de falhas e discrepâncias, chegando às vezes a menosprezar alguns pilares da fé cristã ou até mesmo ignorá-los. Como fonte de “inspiração espiritual”, pouca coisa serve em “A Cabana”. No entanto, como obra literária, ficcional e imaginativa, ela é capaz de nos levar à reflexões que poucas mensagens são capazes de levar, nos fazendo refletir sobre nosso modo de ver e de conviver com nossas mazelas e com as aflições da vida.
Nota: 8,5Quanto Custa? Vários Preços
by GG
O Território 7 lança aqui mais uma série semanal!
A série “Pipoca & Letra” apresentará críticas de livros e filmes, analisando-os conforme necessário, para que nossa série de “Livros Indicados” tenha melhor respaldo através desta coluna.
Este espaço também substitui o buraco deixado pela extinta coluna “Indicação da Semana”, que dedicava-se a indicar blogs, sites, livros e CDs para você, leitor.
No entanto, a coluna “Pipoca & Letra” terá seu foco apenas em livros e filmes, e você poderá interagir conosco, dando sua nota a cada item analisado aqui. As críticas começam ainda esta semana aqui no blog.
Portanto, aproveite e comece já a indicar o livro ou filme que você quer ver aqui no T-7 mandando sua sugestão através dos comentários neste post.
Com satisfação,