The Walking Dead S02E02/03 – “Bloodletting” e “Save the Last One”

[AVISO DE SPOILERS! Se você ainda não viu os episódios 02 e 03 da segunda temporada desta série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]

“Bloodletting”

Demorei a escrever minha review do segundo episódio de The Walking Dead pelo simples motivo de não achá-lo completo. Na minha medíocre opinião, ficou faltando alguma coisa. Ou melhor, muita coisa!

Sendo assim, acreditei piamente na possibilidade de que o episódio seguinte justificaria toda a lentidão e monotonia deste “Bloodletting” (e eu estava certo), episódio que introduziu novos personagens de maneira interessante, mas um tanto abruptamente em alguns instantes – o que não é exatamente um defeito.

Agora conhecemos Hershel, sua fazenda aparentemente invisível aos zumbis, e seus agregados. Tomamos conhecimento de quem foi o responsável pelo tiro que quase matou (e ainda pode matar) o menino Carl e logo somos apresentados ao principal propósito do episódio. Read more

The Walking Dead S02E01 – “What Lies Ahead”

[AVISO DE SPOILERS! MUITOS SPOILERS! Se você ainda não viu o episódio de estréia da segunda temporada desta série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]

Um ano se passou desde o Season Finale da primeira temporada deste seriado sobre sobrevivência, esperança e zumbis. Neste ínterim, a série sofreu baixas relevantes no orçamento, nomes outrora ligados à produção foram desligados dela e nada (a não ser alguns Webisodes arrepiantes, mas não tão impressionantes quanto deveriam) nos foi oferecido como consolo pela distância entre as temporadas.

Em “What Lies Ahead”, episódio de estréia desta segunda temporada, voltamos a acompanhar o mesmo grupo que saiu daquele acampamento em Atlanta, teve um instante de esperança antes de fugir do CDC que explodiu no último episódio e agora segue por uma rodovia. Entretanto, nossos olhos recomeçam a caminhada junto aos sobreviventes encarando o protagonista Rick em um discurso sobre fé e perseverança pelo rádio, ainda conversando com Morgan, um pai que conhecemos ainda no primeiro episódio da série, há mais de um ano atrás.

Aparentemente o grupo de sobreviventes continua unido, e em alguns momentos a naturalidade e fluidez das conversas me incomodaram, parecendo forçadas em alguns momentos, como no papo familiar sobre visitar o Gran Cannion. Mas o clima de amizade aparente entre eles dá lugar à tensão com a qual estávamos acostumados assim que o trailer de Dale quebra e o grupo precisa parar no meio de uma rodovia abarrotada de carros e defuntos. “É um cemitério” – diz Lori… E tal afirmação é o sinal, a deixa perfeita para que o clima do episódio se transforme totalmente! O grupo se divide para procurar comida, água, ou qualquer outra coisa que sirva nos carros quando, de repente, são surpreendidos por uma horda gigantesca de zumbis! Read more

#TWD: Falta pouco…

Apesar de não concordar que TWD seja “a melhor série da TV”, como diz o trailer, confesso que estou ansioso para ver no que vai dar essa nova temporada. Que venha The Walking Dead Season 2!

Coming Soon…

Quem acompanha o blog há pelo menos um ano saberá muito bem o que este vídeo significa… =)

The Walking Dead Ep. 06 (Season Finale): “TS-19″

[AVISO DE SPOILERS! Se você ainda não viu o último episódio da primeira temporada desta série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]

Chegamos ao final da primeira temporada de “The Walking Dead”. Muita coisa aconteceu. Mistérios que ainda não se resolveram, zumbis por todo o canto, mortes, tristeza e, mesmo em meio a tudo isso, esperança! Sim, esperança! O capítulo final da premiere que mostrou ao mundo uma série que é muito mais do que “um seriado sobre zumbis” foi, na medida do possível, o que deveria ser. “TS-19″ não foi uma despedida, e nem poderia – é o início de uma longa história… o final, no fim das contas, é um recomeço.

Durante quase dois meses, esta área do blog se dedicou a comentar uma série “secular” do ponto de vista “cristão”, e muitos foram os que disseram que isso tudo era uma grande besteira… que eu, GG, estava perdendo meu tempo com esta série e com estes posts. Ao final desta primeira temporada, no entanto, fico feliz em notar que valeu a pena! O que aprendi com “The Walking Dead”, um seriado cujo cenário pós-apocalíptico assusta a grande maioria, levarei por toda a vida e ensinarei aos meus filhos. Valores subentendidos nas atitudes nobres de Rick Grimes são indispensáveis não só a quem se diz cristão, mas a qualquer ser humano, no sentido puro e simples da expressão.

Se outrora citamos C.S Lewis – “Creio no cristianismo assim como creio no Sol. Não só porque o vejo todas as manhãs, mas porque através dele vejo todas as coisas!” – agora não há como não lembrar da inquietante indagação do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, fundador da Igreja Confessante, através de uma carta endereçada a Eberhard Bethge, remetida de um campo de concentração em Tegel em 30 de abril de 1944: “Como se fala de um modo “secular” sobre ‘Deus’?”

Eis aqui uma questão fundamental! É claro que não me disponho a ser presunçoso o suficiente a ponto de dizer que descobri um modo de responder positivamente à questão, mas assumo que, ao menos, tentei.

Falar de cinema, músicas, séries e outras coisas aparentemente “impuras”, analisando-as com sinceridade após tê-las observado do ponto de vista de nossa crença não é pecado e tampouco perda de tempo. Não é também “buscar Deus” onde Ele provavelmente não está… muito pelo contrário: é esbarrar na obviedade, encontrar-se perdido em meio àquilo do que não se pode esconder-se: a onipresença divina!

Enquanto falamos de valores sociais, familiares e princípios com os quais nos identificamos como cristãos durante todos os demais episódios da série, o que nos garante emoção agora é o contraste evidente entre a esperança de alguns e o total desespero de outros. É óbvio que poderíamos tratar de outros assuntos como, por exemplo, o modo como o sofrimento e as paranóias se amplificam ao extremo em momentos de absoluta dificuldade (como Shane, na cena em que tenta agarrar Lori à força); ou talvez nos restringiríamos a comentar a tristeza do médico que, depois de tudo o que passou, não consegue enxergar nem pra si e tampouco para os que estão sob sua responsabilidade, a possibilidade de permanecerem vivos, lutando por sobrevivência. Poderíamos (por que não?) destacar a magistral explicação da experiência que leva o título do episódio, explicando como acontece a transformação, e comparar tudo aquilo com o modo como alguns cristãos adquirem uma intrigante preguiça de pensar, acomodados em suas vontades e desejos.  O leque de possibilidades de pauta é gigantesco!

No entanto, o que salta da tela e nos comove é esta luta quase cega pela vida. Se no começo desta série de posts éramos como os zumbis, sempre à procura do que nos alimentasse superficialmente, agora somos todos Rick Grimes! Estamos com ele e, ao seu lado, sonhamos com dias melhores, apesar do caos. Mesmo que nos digam que não há solução, ainda existe em nós uma fagulha de esperança que, mesmo que não a enxerguemos com perfeição, nos move à continuar em busca da vida. Amor, compaixão, lealdade, coragem, perseverança, liderança respeitosa, não abusiva e, principalmente, esperança. Estas foram as marcas que esta primeira temporada da série me deixou.

Sim, senhoras e senhores, eu estou falando de uma série de TV e sim, eu sei o quanto isso pode soar como mero clichê. Mas, se você acompanhou os episódios com os olhos bem abertos, sem preconceito, e se você realmente acredita nestes princípios que agora citei, é impossível não tê-los notado em cada um dos capítulos que, juntos, formaram esta excelente premiere. Em TS-19, o Season Finale, nada ficou a desejar (ao menos na minha opinião). O essencial está lá: os dilemas, medos e conflitos dos personagens agora se afloram como nunca. Mas o que impressiona é que, mesmo em meio a tanta dor, a vontade de continuar prevalece até o fim. É o perfeito retrato daquilo que deveríamos ser em nossa essência: guerreiros lutando cegamente pela vida!

The Walking Dead só volta às telas norte-americanas em outubro de 2011 e, provavelmente, esta série de posts também. Até lá, só nos resta pensar naquilo que nos foi ensinado e aguardar o que está por vir.

by GG

The Walking Dead S01E05 – “Wildfire”

[AVISO DE SPOILERS! Se você ainda não viu o 5° episódio da série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]

“Wildfire”, o 5° e penúltimo episódio desta primeira temporada de The Walking Dead, tinha tudo para superar “Vatos” (Ep. 04), mas não o fez. Apesar de ter gostado bastante do episódio, achei tudo muito confuso – o ritmo cadenciado que permitia explorar bem as personagens no decorrer de toda a série até aqui foi substituído pela pressa, o que não é de todo condenável, já que a temporada acaba já no próximo capítulo. No entanto, correr demais para contar uma história sempre deixa a impressão de que “poderia ter sido melhor” (o que não significa, de modo algum, que foi um episódio ruim).

Cenas importantes como Amy sendo obrigada a sacrificar a sua irmã, a morte de Jim e a apresentação do único sobrevivente do CDC foram os únicos destaques do episódio, nada mais. Enquanto tínhamos, em outros capítulos da série, um leque de temas possíveis para discutir, “Wildfire” voltou-se ao caos e à sobrevivência, dedicando-se a estes de maneira interessante, porém breve.

O sofrimento de Amy, despedindo-se da irmã mordida por zumbis, declarando seu amor por ela e acertando-lhe um tiro na cabeça foi, sem dúvidas, uma das cenas mais difíceis que vi na série: crua, bela e intensa. Mas quem realmente me fez tirar o chapéu foi Jim. Sua resistência e apreço pela sobrevivência no começo foram atordoantes. Como alguém preferiria continuar a viver naquelas circunstâncias, prestes a tornar-se um morto-vivo? Como alguém resistia com tamanho esforço e garra? Enfim, The Walking Dead conseguiu manifestar de maneira plena o foco central de toda a série: apesar da situação, a vida ainda tem seu valor soberano!

Quando, no entanto, Jim decide abandonar a resistência, o que se nota é surpreendente. Não se trata de deserção, Jim está se entregando. Não à morte, não ao estado semi-morto que lhe aguarda, mas ao único jeito de não ameaçar a vida dos que protegeram a sua.

Em outro momento, pouco antes de sua morte, Jim dialoga com Rick e ambos falam de Deus e de sua vontade. O homem à beira da morte afirma que o único que pode curá-lo é Deus, mas sua noção de divindade assemelha-se muito ao que eu (particularmente) ouvi em algumas igrejas que vi – o Deus tirano e ditador que nos trata como se fôssemos meras marionetes sem alma. Mas Rick retruca, como o líder que é, e corrige a frase – que confesso que me fez arrepiar na cadeira – dizendo que a sua vontade pessoal, aliada a vontade soberana de Deus, poderia sim trazer Jim de volta à vida. O diálogo, quando chegou ao fim, me fez lembrar Filipenses 4.13 e, ao mesmo tempo, me colocou de volta no universo da série: o mundo está morto e, por isso, o conceito de Deus poderia estar totalmente deturpado na cabeça de todos os poucos sobreviventes. Ver e ouvir Rick falar de Deus daquele modo, com visível reverência e temor, são de arrepiar os cabelos!

Outra temática pouco explorada, porém com a devida intensidade, foi a paranóia de Shane, o cara quase fez besteira… Na mata, ele poderia ter matado Rick e ouso dizer que só não o fez porque percebeu que não estavam a sós. Outro tópico bem definido no episódio foi a confiança que os remanescentes passaram a depositar em Rick e em seu instinto – o que de certa forma desperta ainda mais a fúria de Shane. Fugir em direção ao CDC com os olhos vendados, confiando apenas na intuição de Rick parecia patético… mas não foi. Lá estava a esperança, a luz no fim do túnel, o abrigo perfeito.

Alguns sobreviventes foram deixados pelo caminho. Merle, Morgan e seu filho, a família inteira que optou não seguir Rick e os demais até o CDC, os mordidos na noite do ataque ao acampamento, Jim… todos estão perdidos. Alguns se perderam por vontade própria; outros, pelos males que lhes sobrevieram de maneira cruel. E isso deveria te fazer lembrar daqueles que, nos anos de caminhada cristã, se perderam do Caminho que nos leva à Esperança.

Você pode muito bem estar seguro agora. Mas não se esqueça que lá fora, neste mundo selvagem e cada vez mais tenebroso, ainda existem remanescentes que persistem na mesma busca: procuram abrigo, esperança e paz… Assim como eu e você.

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BÔNUS arrepiante – Sneak Peek do Episódio 06, o último da temporada:


The Walking Dead Ep. 04 – “Vatos”

[AVISO DE SPOILERS! Se você ainda não viu o 4° episódio da série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]

O 4° Episódio de “The Walking Dead” começa com um diálogo singelo e intenso entre duas irmãs, que enquanto desabafam acabam por encontrar consolo nas diferenças uma da outra – talvez esta “intimidade” que nos é ofertada em tela seja o maior e mais valioso trunfo da série. Rick e os outros ainda estão em Atlanta à procura de Merle, enquanto no acampamento alguns acontecimentos estranhos constroem o clima de mistério necessário para aquele que até agora foi o melhor e mais intenso dos episódios da temporada.

Tanto a belíssima cena inicial no barco (que dialoga diretamente com a última cena do episódio) quanto a outra que vemos acontecer em um tipo de asilo, exaltam de maneira embasbacante a “união apesar das diferenças”. Já cansei de escrever linhas e mais linhas denunciando a nossa insistência em abraçar o preconceito e chamá-lo de “liberdade de expressão” e, talvez por esta minha insistência no argumento, segurei-me na cadeira ao ver a mensagem que transborda a tela quando Rick, após quase entrar em conflito com outro grupo de refugiados sobreviventes em Atlanta, reconhece e se curva diante do motivo pelo qual as pessoas confiam no homem que há alguns instantes o queria matar. Guilhermo, o “solidário do apocalipse”, o “bom samaritano” daqueles dias maus, é uma luz que brilha forte na escuridão da noite mais terrível. O asilo é o contraste mais belo entre a esperança da sobrevivência e o infortúnio da morte que se aproxima depressa. A senhora idosa que surge frágil é ingênua entre homens, fardas, armas e ânimos exaltados poderia ser – por que não? – uma alusão aos ensinamentos Daquele que nos recomendou ser como Ele… “manso e humilde”.

“Vatos” é incrivelmente bem construído e é, sem dúvidas, o episódio que até agora mais me convenceu que “The Walking Dead” chegou para ficar.

Ele é aliás um oceano de possíveis alusões. A cena introdutória, um prólogo perfeito para o ritmo do episódio, enaltece um pai que soube respeitar as diferenças entre suas duas filhas, o que me lembra o quão falhos somos em valorizar a nossa individualidade – parecemos robôs pré-programados para dar “glórias a Deus” e “aleluias” quando nos convém – nos esquecemos que um bom Pai não faz acepção de pessoas, em hipótese alguma! Rick e sua lealdade (não só ao amigo, mas aos princípios que nos cativam ao personagem) me fizeram lembrar do pastor que sai em busca da única ovelha entre outras 99 que se desgarrou do rebanho – cada indivíduo tem seu valor e vale a pena lutar por ele. Jim e seu momento de delírio, que se revelaria em breve uma desgraçada premonição, e a maneira como este trata o menino Carl de certa forma me recordaram que não importa o que aconteça, todo mundo é digno do mínimo de respeito… no mínimo. Mesmo que seja “apenas” uma criança – recordei-me de um Jesus pouco lembrado pelos religiosos endinheirados do nosso tempo: o Jesus que pegava crianças no colo e que dizia ser delas o Reino que sempre lhe pertenceu. O velho à beira da fogueira explicando-se sobre o seu relógio, que parecia aos olhos alheios não fazer sentido já que agora o tempo não é tão importante assim, me fez voltar os olhos ao que dizia o Mestre sobre não ficarmos ansiosos por coisa alguma.

Mas, e os zumbis? Faz tempo que não os vejo aparecer “em massa” na série (se você se preocupa com isso, vai esquecer a preocupação assim que o episódio acabar). Estamos agora abrigados dos perigos que ameaçam nosso bem estar? Estamos livres do ataque dos mortos-vivos? E Merle, onde ele está? Se não foi ele quem roubou a van em Atlanta, quem o fez? A temporada caminha para o seu desfecho e alguns mistérios ainda se sustentam no roteiro da série.

Entretanto, o que me deixa cheio de esperanças para o que está por vir é que posso ver uma “série de zumbis” com os olhos ainda fitos na fé que carrego no peito, afinal estamos ali! Sim, estamos lá. Somos como zumbis ou como refugiados. Somos aqueles que lutam contra o mal que nos rodeia, ou os que persistem bravamente em batalhar contra nossos próprios medos, conflitos, paixões, perdas e tudo mais. Somos os olhos atentos à história que nos é contada, mas somos também os pés que trilham um caminho paralelo a tudo aquilo.

Zumbis ou remanescentes, estamos todos em busca da mesma coisa: sobreviver bravamente ao caos inegável dos nossos dias.

by GG

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Sim, sim! Tem BÔNUS outra vez! Sneak Peek do Episódio 05:

The Walking Dead #03 – Tell it to the Frogs!

[AVISO DE SPOILERS! Se você ainda não viu o 3° episódio da série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]

Ontem, alguns pensamentos intrigantes me vieram à mente após ter visto o episódio 03 de “The Walking Dead”.

Já dissemos que a série é muito mais do que “um seriado de zumbis”, pois estes servem apenas de pano de fundo para uma discussão muito maior sobre valores e acima de qualquer outra coisa, sobre vida.

O terceiro episódio da série  merecia, ao invés de um único post comentando-o, um blog inteiro! Poderíamos falar de preconceitos, família, reencontros, raiva, medo e tantas outras coisas. Mas o que realmente chamou a minha atenção não foi nenhuma destas coisas.

Em “Tell It to the Frogs”, episódio exibido ontem na Fox Brasil (e domingo na AMC), o que me impressionou foi a profundidade com a qual está sendo tratado cada um dos personagens. Rick Grimes é o tipo de personagem que ganha, a cada episódio, a empatia do público sem precisar se esforçar muito. A atuação de Andrew Lincoln na cena onde Rick reencontra a sua família é sóbria e inteligente, sem exageros, na medida. Shane, o outro policial, é agora o estereótipo da aflição! E com a mesma profundidade, conhecemos todos os outros personagens. O que costumo criticar nas novelas brasileiras é, de modo geral, isso: um filme de duas horas consegue nos apresentar melhor um determinado personagem do que uma novela que demora 9 meses pra acabar.

E é exatamente esta profundidade dada ao protagonista que me deixou estupefato diante da indagação que fiz a mim mesmo (e feita também por Shane): por que voltar à Atlanta por causa de alguém tão mesquinho e preconceituoso como Merle?

A resposta de Rick me fez pensar por horas: não é apenas por ele, existem outros motivos, dentre os quais o principal é a lealdade à dupla que o salvou no primeiro episódio da temporada – pai e filho que o resgataram, deram-lhe de comer e onde dormir por alguns dias.

Lealdade e gratidão! Palavras que tanto dizemos em nossas igrejas, mas que insistimos em ignorar-lhe sentido e prática! Somos leais ao nosso emprego, ao dinheiro que ganhamos, mas não conseguimos ser leais aos princípios da fé que declaramos ter. Dizemos que “Deus é amor” e que “Jesus morreu por TODOS”, mas com certeza não voltaríamos à Atlanta para buscar um racista psicopata… O preconceito e a ingratidão também faz parte de nossa natureza.

“The Walking Dead” em seu terceiro episódio conseguiu me mostrar quão valiosa pode ser uma vida, por mais que digam que esta não vale o sacrifício… e se Jesus pensasse como Shane? Se alguém tentasse o persuadir, como fizeram a Rick Grimes, tentando convencê-lo de que não temos solução, somos “caso perdido”? Dou graças pela Graça, que me resgatou das correntes que me amarravam a um mundo morto e sem esperanças… essa analogia, aliás, seria perfeita, se não fosse aquele final.

Onde estará o homem que começou o episódio confuso, sem saber se implorava socorro a Deus, ou se gabava de nunca tê-lo feito antes? Essa pergunta deve ser respondida nos próximos episódios, mas ainda resta uma dúvida além da tela…

Será que realmente vale a pena arriscar a vida por quem jamais arriscaria a sua por nós? Essa é difícil.

by GG

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BÔNUS!!! Sneak Peek do Episódio 04:

The Walking Dead – Episódio 02

“Creio no cristianismo assim como creio no Sol. Não só porque o vejo todas as manhãs, mas porque através dele vejo todas as coisas!” C.S. Lewis

The Walking Dead é tão bom, que decidimos criar uma nova coluna aqui no T-7, na qual comentaremos cada um dos episódios exibidos. Funcionará assim: o episódio é lançado (geralmente no domingo em terras norte-americanas), nós assistimos (geralmente na segunda ou terça-feira à noite), escrevemos e publicamos o post (quarta ou quinta-feira). A ideia, no entanto, é que cada um destes posts torne-se um ambiente de discussão sobre os temas sugeridos pelo post… comentem o que quiser! Vamos discutir a série e os assuntos tratados nela com inteligência e sobriedade.

[AVISO DE SPOILERS! Se você ainda não viu o 2° episódio da série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]

Previously, on… ops! Digo… No último post sobre “The Walking Dead”, a excelente série que decidimos adotar aqui no blog, fizemos uma comparação um tanto curiosa e dissemos que os Zumbis da série lembram, de certa forma, a nossa mania de buscar sempre a bênção, o bem material, a “vitória”, etc.

Ao final do episódio 01, vimos Rick Grimes (o policial protagonista da série) encurralado dentro de um tanque e ouvimos uma voz vinda do rádio, um pingo de esperança em um mar de Zumbis famintos! Seguindo as instruções da tal voz, Rick escapa dos mortos-vivos e refugia-se dentro de um prédio junto a outras pessoas – dentre as quais está o dono da voz que o instruiu na fuga: Glenn (o japinha é fera!). Novos personagens nos são apresentados e um novo desafio surge para Rick… e é aqui que os realizadores da série esbanjam competência… uma história bem contada, mesmo sendo mentira, merece ser ouvida!

Afinal, o que nos fez “adotar” The Walking Dead e nos comprometer a escrever um post a cada episódio exibido? Seria a perfeita maquiagem dos zumbis – as melhores que vi até hoje? Seria simplesmente por ser uma adaptação de HQ? Talvez o fato de ser dirigida por Frank Darabont, responsável por filmes que tenho um grande apreço (“Um Sonho de Liberdade” e “À Espera de um Milagre”)? Sinceramente… não. O que me cativa na série da AMC é a complexidade imprimida em uma estória que, se explorada de maneira errada, poderia se tornar “galhofa”.

O que quero dizer é que “The Walking Dead” tinha tudo para ser só mais um seriado qualquer, mas se distingue por um único motivo: os zumbis são apenas pano de fundo para temas muito mais complexos: solidão, dor da perda, preconceito, valor da família, coragem, piedade e muitos outros tópicos que poderão ser discutidos a qualquer momento nesta nova coluna, dedicada exclusivamente à série.

Agora, não somos mais os zumbis.

Somos o pai à procura da família que se perdeu na escuridão. Somos os responsáveis por decidir quem fica para trás e quem prossegue conosco na caminhada. Somos pessoas assustadas, fugindo de nossos medos e cismas. Já não somos mortos-vivos, acostumados com a programação da TV, alienados pela mídia que consome nosso tempo e cérebro. Agora ficamos espertos… fingimos ser como zumbis: nos vestimos de rotina, mesmice e tradição, mas na verdade estamos em busca de uma saída! E, assim como em um roteiro bem estruturado, nada do que fazemos é estéril. Cada gesto, decisão e atitude; cada palavra, silêncio ou negligência são sementes lançadas em solo eternamente fértil.

Essa serve tanto para a série quanto para a vida de quem insiste em acompanhá-la: o que – ou quem – deixamos para trás ainda estará lá quando voltarmos?

by GG

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BÔNUS!!! Sneak Peek do Episódio 03:

The Walking Dead

Há alguns dias a Fox exibiu o primeiro episódio da sua nova série: The Walking Dead.

Baseado na HQ homônima, a série tem como protagonista Rick Grimes, um oficial de polícia que sai em busca de seu filho e sua esposa “desaparecidos”. O problema no entanto, é que ele logo descobre que a cidade está agora habitada por mortos-vivos. Pronto, o plot está montado.

Assisti ao episódio piloto, me rendi e apostei na série assim que subiram os créditos finais, afinal sou um apaixonado pelo registro audio-visual das coisas (ficcionais ou não). A boa condução da história e o modo como nos são apresentados conflitos e personagens são inteligentes: The Walking Dead (que já foi sucesso de audiência em sua estreia) promete!

Mas o que realmente me impressionou foi a realidade que consegui enxergar em meio à fantasia daquele mundo. Assim como na série, estamos rodeados de zumbis.

Um amigo certa vez me disse que nós cristãos somos “meio zumbis”, porque “morremos para o mundo, mas estamos vivos para Deus”. A lembrança desta frase foi inevitável enquanto apreciava o referido piloto. Somos zumbis? Estamos mortos, vagando por aí à procura da única coisa que nos satisfaz? Nosso cérebro só funciona se for para buscar o nosso próprio sustento e prazer? De certo modo, faz sentido. Mas não da forma como meu velho amigo me disse…

Quando vou aos cultos, ao chegar às proximidades do templo, percebo a semelhança entre a peregrinação dos irmãos caminhando até o local de cultuar a Deus e uma cena do antigo “A Noite dos Mortos Vivos”. Todos andando no mesmo ritmo, com a mesma expressão facial, a maioria de nós indo em busca de uma mensagem que massageie nosso ego, alimente nossa alma podre e acaricie nosso pecado oculto – o real motivo de estarmos assim tão mortos.

Se preciso for, comeremos a carne do irmão ao lado para conseguir a nossa tão desejava “vitória”. Nos gabamos de bênçãos imerecidas, exaltamos nossos próprios feitos “milagrosos”, gloriamo-nos do nosso santo jejum, de nossa longa oração, da nossa voz, do nosso “louvor” e da nossa nojenta aparência de santidade. Sim, somos zumbis. É assim que o mundo nos enxerga e NÃO, isso NÃO é bom. As pessoas não deveriam nos ver como mortos- vivos, mas como aqueles nos quais a vida está!

Por que teimamos em negligenciar a renúncia requerida por Cristo à todos os que se candidatam a seguí-lo? Por que amamos mais a integridade do nosso umbigo que a segurança do nosso próximo? Por que somos tão apaixonados pela satisfação pessoal em detrimento do bem coletivo?

Somos imbecis!

Partimos em romaria todo santo domingo para o culto, nos enfurnamos por duas horas dentro da igreja e depois voltamos pra casa e ligamos a TV, como se nada tivesse acontecido nas últimas duas horas, e engolimos as notícias do Fantástico, mesmo sem saber direito do que elas realmente estão falando.

Enquanto isso, fora de nosso palácio de indiferença e perfeição forjada, pessoas precisam conhecer a Vida. Mas nós preferimos continuar perambulando por aí como mortos-vivos, acreditando estar mais vivos do que mortos.

Pobres de nós, andarilhos zumbis, seletivamente cegos: só enxergamos o que nos interessa. Parcialmente vivos: só queremos a vida que satisfaça nosso coração semi-morto.

Que o Bom Deus tenha misericórdia de nós.

by GG