Eu, Escritor…

por Gustavo Guilherme
Em minha vida de diletantismo secreto, como amante das manifestações criativas, por razões de força maior, deixei de lado por um longo tempo a dedicação à produção literária. Abandonei o lápis e endireitei os óculos. Por dúzias de meses não toquei em cadernos ou abri o Word para escrever nada. Apenas lia e relia os livros da estante, guardando o desejo oculto de estar ali, impresso nas páginas de alguma publicação.
Aliás, a única oportunidade que tive de publicar alguma coisa foi em uma seleção de microcontos produzida pela Andross Editora, da qual já falei aqui no T-7. Fora o início de um longo e demorado passo para o caminho que decidi trilhar.
Desde aquele texto, publicado em 2006, não corri atrás de outra oportunidade – fazem 5 anos e, até pouco tempo atrás, não tinha pretensão alguma de seguir a carreira de escritor ou produzir literatura com freqüência.
Este ano, entretanto, alguns projetos estão saindo da gaveta. Decidi, enfim, dedicar vasto espaço em meu cotidiano para criar contos, poesias, crônicas e micronarrativas diariamente. Este ano pretendo investir nesta carreira, o velho sonho de criança – sonhos do moleque que passava as tardes agarrado aos livros infantis, ou do adolescente viciado em filmes, ou ainda do adulto obcecado por música, cinema e literatura. Este ano, publicarei meu primeiro livro.
Mas o que mudou minha mente, amadurecendo estilos e vontades? Indubitavelmente, a culpa deste novo fôlego é do nascimento do pequeno Pietro, meu primeiro filho. Vê-lo tão pequeno e frágil, com a vida inteira pela frente, fez-me sentir como se cada gesto por ele feito ou sonzinho emitido sem querer fossem como palavras rabiscadas em uma imensa página branca. A expectativa de vê-lo crescer e realizar suas vontades, sonhos e projetos pessoais que virão me fez revisar os meus próprios planos.
Minha fuga à literatura Não é uma busca por fama ou fortuna. Mas por mim mesmo, como pai, como criatura. É tudo por ele, o pequeno gordinho que ainda não sabe ler, mas que em pouco tempo terá crescido e abastecerá seu coração com sonhos. Se agora quero escrever, é para dar o exemplo ao pequeno Pietro: não há necessidade alguma de esconder seus sonhos em um relicário obscuro dentro da alma.
Deixo-lhe, portanto, uma dica que considero assaz importante. Crie coragem. Tire as idéias da caixa e brinque com elas o quanto quiser. Você não vai se arrepender.
A verdade é um clichê: se você não acredita em si, quem mais acreditará?
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4 Comentários em: “Eu, Escritor…”






















Marcus Paulo
A criança nasce e junto com ela um nova história na vida dos seus pais… Foi assim com você, e para nossa sorte essa “mudança” te fez renovar a paixão dos velhos sonhos, e isso é de certa forma um incentivo para que todos os leitores do T-7 também invistam em seus sonhos… UAU!!!
Eu escrevi estas frases para tentar demonstrar o quanto estou feliz por sua decisão, e quero em breve ter teu livro no meu guarda-roupa (Não tenho uma estante para colocar meus livros… Kkkk)
Deus te abençoe!
GG
Valeu a força, Marcus Paulo.
Publiquei este texto por aqui realmente pra dizer pra vocês, leitores, que vale a pena lutar por aquilo que vc acredita.
Abraços.
Jôder Filho
Cara, GG me surpreende cada dia mais. Texto incrível. EU sei que não sou o melhor dos escritores, mas isso aí me passa pela cabeça vez por outra. Parabéns pelo texto excelente, meu caro.
Carlos Amorim
Eu também alimento este desejo desde criança… Lembro-me da excitação ao ver uma de minhas redações, escrita despretensiosamente, publicada em um jornal local…
Os anos passaram, abracei uma carreira, constitui familia… É triste constatar que poucos sonhos sobrevivem ao raiar do dia e às suas ocupações rotineiras…
No entanto, o que é a realidade, se não uma abstração da nossa mente? Oro para que um dia eu “acorde” novamente para aquele sonho…
Mano GG, a respeito disto, só posso te dizer uma coisa: Go straight ahead!! Siga em frente meu velho! Eu sou um dos que aplaude suas iniciativas!
Abraços!
Carlos
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