O que você NÃO deve saber sobre “A Bacia das Almas”

fevereiro 2, 2011 | 1 Comentário

por Paulo Brabo

É fato conhecido que ao longo do século XX o que as pessoas ganharam em longevidade os livros perderam. Tendo sido lançado em dezembro de 2009, A bacia das almas tem hoje, em vida de livro, mais de 35 anos. De um livro de meia-idade talvez não seja injusto fazer reminiscências; seguem uma ou duas coisas que você absolutamente deve ignorar sobre ele.

1) O título era outro. Até o último momento A bacia das almas era para se chamar O último cristão (a partir deste texto); só resolvi mudar isso pouco antes de mandar o manuscrito final para a editora. Quando decidi que o título devia ser o mais ou menos genérico A bacia das almas, intuí a necessidade de um subtítulo; minha primeira ideia foi “Confissões de um ex-consumidor de igreja” (que era, por sua vez, o título original deste documento) – mas o departamento de marketing dentro de mim absolutamente exigiu algo mais apelativo.

2) O primeiro capítulo foi roubado de outro livro. Quando fui convidado a simular um volume mais ou menos coerente a partir do material heterogêneo da Bacia, entrei num pânico cordial; minha maior preocupação, sem qualquer dúvida, era o que colocar logo no começo (The beginning is a very delicate time, a primeira coisa que ensinou-me a princesa Irulan). A solução mais à mão, como frequentemente acontece, foi apelar para a reciclagem. O primeiro capítulo de A bacia das almas (que você pode ler aqui) é na verdade o primeiro capítulo de um livro que eu já havia decidido que não valia à pena terminar, e era para se chamar A pedra angular e a igreja da esquina. Deste livro tenho concluídos mais dois capítulos que nada têm que valha pena resgatar, com a possível exceção da passagem Satã roga pelos homens, que já estoquei aqui.

3) Os cortes foram feitos pelo autor. A primeira seleção de material que fiz para compor o livro tinha 127.897 palavras. A versão que mandei para a editora – e que, para minha surpresa, foi aprovada na íntegra, resultando no presente calhamaço – tinha 102.125. Ou seja, a edição e os cortes que houve foram feitos por mim; o material que ficou de fora você jamais saberá.

4) Dois capítulos não foram escritos. De material inédito, como se sabe, o livro da Bacia só tem o último capítulo, Os livros não mudam ninguém. Com receio de que um só texto novo não bastasse para imprimir a devida marketability ao volume, fiz notas para dois capítulos adicionais que não cheguei a concluir para o livro, e deveriam se chamar A igreja que existe fora das portas e O encontro de Bonhoeffer com Gandhi. O primeiro, um ano depois, resultou mais ou menos no meu capítulo de contribuição para O que eles estão falando da igreja; o segundo nunca comecei a redigir.

5) As parábolas que não são. A seção de ficção do livro da Bacia tem o nome de Parabólicas, mas fora um exemplo ou outro, não consta de parábolas. Há nesse paradoxo uma parábola, mas a lição não devo revelar. Incidentalmente, esta é a única seção do livro que ponderei muito seriamente eliminar – não por outro motivo, mas porque planejava reservar essas histórias para um possível livro de contos curtos que espero um dia venha ainda à luz. Incidentalmente, é também nessa seção que está aquele que do livro inteiro é o texto de que mais gosto e pelo qual não me importaria de ser lembrado: este Blefe.

Fonte: A Bacia das Almas – o Blog

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Só pra te deixar mais curioso e cheio de vontade de concorrer ao livro, correr para a postagem anterior e comentar! A promoção “A Bacia das Almas”, parceria entre o T-7 e a Editora Mundo Cristão, termina sexta-feira da semana que vem.

Clique AQUI e leia nossa opinião sobre “A Bacia das Almas”.

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1 Comentário em: “O que você NÃO deve saber sobre “A Bacia das Almas””

  1. S.O.S Gospel

    em fevereiro 3rd, 2011 20:00

    bah que legal esse post, achei legal ver o autor falando sobre o livro, isso é algo diferente. Eu por exemplo penso em escrever um livro, mas nunca tinha parado para pensar q a editora poderia “cortar” partes (claro que já sabia q eles fazem isso). Vou até comprar o livro, caso eu não ganhe ele da promoção da Mundo Cristão!
    Um abraço!

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