Poderes Ocultos – Capítulo 11: Paciente
by Joder Filho A atendente chorava sozinha. Como tantas outras noites de sua vida, a jovem se via perdida, sem respostas e com o coração apertado, orando pra que tudo aquilo acabasse logo. Em geral, adormecia assim, embalada pelas lágrimas, esperando que o dia simplesmente viesse e que os raios do sol e a luz magicamente mandassem embora todo e qualquer problema. Sentada sozinha em sua cadeira, praguejava contra si mesma, lamentando o fato de não estar lá. Ela deveria cuidar dele, afinal, ele sempre esteve lá por ela. Ainda enxugava as lágrimas quando as duas irromperam pela porta, carregando pelos braços um rapaz ...
As Crônicas do Fim – Episódio 10: “Azul”
by Gustavo Guilherme Antes que pudesse verificar a origem do disparo, notei que o monstrengo fora baleado na testa, em cheio, e agora seu corpanzil aniquilado despencava em minha direção. Numa tentativa insana de me desviar da aberração, tropecei no ogro gordo e caí. Meu queixo encontrou o chão com um impacto que me deixou tonto. Atordoado, escutei um segundo tiro e o barulho deste agravou minha confusão. Eu estava afoito, patético como uma barata em fuga. Se não me concentrasse, o monstro logo me esmagaria. Rastejei depressa para algum canto da sala, de olhos fechados e gemendo. E assim que minhas mãos ...
- Pipoca&Letra 015. “Super 8″
- Pipoca&Letra 014. “VIPs”
Pipoca & Letra
As Crônicas do Fim – Episódio 04: “O Selo”
by Gustavo Guilherme
A grande escassez faz suas vítimas. Mas ainda há quem tire proveito do caos.
Além de centralizar o poder em metrópoles dominadas pelo governo, a falta de água trouxe à tona algumas doenças e floresceu ainda mais a crueldade dos homens que, em busca de sobrevivência, se tornaram capazes de cometer quaisquer atrocidades e se submeter a situações absurdas em troca de água potável, comida e segurança, mesmo que falsa. Estes mesmos homens acabaram se tornando escravos de seus líderes políticos. Senhores das terras ainda férteis, os governantes submetem o povo a barbáries indescritíveis, escravizaram famílias inteiras, tomaram filhas e filhos da plebe como amantes, capangas ou serviçais de suas mansões.
Não há esperança longe das tribos. Além dos esconderijos, não há humanidade. Ironicamente, onde ainda há água e alimento saudáveis, não existe alegria.
A nossa atmosfera tornou-se densa e respirar é quase sempre um sacrifício, por isso, o índice de câncer de pele subiu vertiginosamente nos últimos seis anos – os mais quentes que esta terra já conheceu. Sem hortaliças, vegetais e frutas à disposição da população comum, o que mais se vê entre os refugiados das tribos são pessoas doentes, moribundas e desesperadas. Os mais afetados pelo calor são as crianças e os idosos. Os velhos, pela fraqueza da idade, morrem rápido. Os pequeninos, entretanto, são naturalmente mais resistentes, demoram a morrer. Na esperança de viver, abraçam a dor como se esta fosse uma velha amiga.
Nas cidades-governo, a população recebe uma porção diária de comida e água, mas ali já não há motivos para lutar por sobrevivência. Todos os dias, tais cidades adormecem cobertas de dezenas de novos defuntos, e acordam com uma nova centena de vítimas das doenças de nossos tempos. Por isso, as tribos se tornaram local de caça. Governantes enviam seus homens para capturar e escravizar fugitivos ou até mesmo sequestrar tribos inteiras, quando possível, só para preencher as vagas deixadas por seus mortos.
Ouvi histórias terríveis sobre a Nova Manipulação – este é o nome que as tribos deram a administração deste governo cruel. Quero acreditar que a maioria delas não passa de fábulas tenebrosas sobre torturas físicas e psicológicas, crimes bárbaros e regimes desumanos de liderança forçada.
Uma visão me atormenta todas as noites. Um sonho que me faz despertar suado e geralmente aos berros: uma menina de aproximadamente seis anos de idade, coberta de sangue e sem uma parte dos membros inferiores. Ela se arrasta pelo chão e me pede socorro. Ela me implora piedade e pede que eu a salve do sofrimento. Ela quer que eu a mate.
Atordoado, despertei. Leia Mais
#Resenhando 002: “Robinson Crusoé”

Bonjour!
Trouxe a vocês, uma aventura clássica. Adoro mexer na biblioteca de casa e encontrar aqueles livros da época onde tudo parecia fantasia, sabe? Época em que folhear um livro era quase como mergulhar num universo ilimitado!
E hoje, aflorei meu lad “ratinho de biblioteca”. Encontrei o livro de Daniel Defoe, chamado: “Robinson Crusoé – A conquista do mundo numa ilha”. O reli em poucas horas e me apaixonei novamente pelo clássico.
Sobre a obra:
O livro conta a história de Robinson Crusoé, um jovem que, aos dezoito anos, foge de casa e se engaja num navio e ali começam suas aventuras em alto mar. Ao tornar-se um marinheiro náufrago numa ilha deserta, Robinson passa por etapas de luta por sobrevivência, onde se vê em meio a grandes privações e metido em muitas peripécias consequentes de suas adaptações às possibilidades de sobrevivência. Após 25 anos de solidão, Robinson (de maneira surpreendente) torna-se hospedeiro de um fugitivo a quem denomina “Sexta-feira”, em referência ao dia da semana em que foi salvo. E ele assim prossegue sua aventura, criando uma exótica, emocionante e romântica aventura universalmente conhecida de tantos leitores. Leia Mais
TRON: Uma Odisséia Eletrônica, ou quase isso.
As Crônicas do Fim – Episódio 03: “Lazarus” (Parte 3)

by Gustavo Guilherme
A sombra de um rosto, uma luz trêmula e vozes. Depois disso, minha mente voltava às sombras e aos pesadelos feitos de lembranças… Ou do que restou delas.
Enquanto inconsciente, após ser salvo das garras do lobo, recordações de minha infância montaram peças de um quebra-cabeça sem sentido em minha mente. Entre sonhos e memórias, às vezes abria os olhos, mas logo desmaiava outra vez.
Apagado, vi de repente um menino correr e cair à beira da Estrada 692, que antigamente interligava Ancor e Galed, duas nações que passariam a se odiar durante a Grande Guerra. O menino levava consigo um bebê. Sangue e lágrimas escorriam dos olhos do garoto, que insistia em acalentar a criança chorosa em seu colo. A imagem se desfez repentinamente, contorcendo-se e apagando, como em um filme antigo.
Da escuridão, uma nova lembrança emergia em vermelho. Um casal me olhava sorridente, com embrulhos nas mãos. Ao lado deles, um pequeno pinheiro decorado com enfeites natalinos. A mulher era morena, olhos castanhos e dentes muito brancos. Não podia ver seu vestido, pois este estava embaçado pela visão turva do sonho, mas pude notar algumas palavras estranhas, talvez escritas em outra língua, tatuadas em seu braço assim que ela me estendeu o presente. Ao seu lado, um homem barbudo sorria com dentes amarelos. Tinha um olhar cansado e rugas espalhadas no rosto. Ele também tinha algo impresso em seu braço, mas não pude ver o que era. Esta imagem também se esvaiu depressa, como fumaça.
Uma nova visão escura e quente apareceu.
Era, outra vez, o garoto com um bebê. Desta vez, entretanto, eu estava lá, em pé ao seu lado, com a mão direita estendida, oferecendo ajuda. Ele me encarou e pude ver uma linha de sangue escorrer de seus pequenos olhos e rabiscar seu rosto pálido. Ele fitou o bebê, pronunciou palavras que não pude compreender e estendeu-me a destra tremente. Assim que o menino tocou minha mão, ele desapareceu e a criança em seu colo espatifou-se no chão, gritando de dor logo em seguida. Assustado, encurvei-me depressa para socorrer a pobre criança. Toquei o manto no qual ele estava envolto e, cuidadosamente, descobri sua cabeça… Apavorado, gritei. O bebê transformara-se em um monstro com dentes afiados e olhos vermelhos, faminto e violento, pronto para devorar qualquer coisa que cruzasse o seu caminho.
Acordei. Leia Mais
Curta-Metragem: “Zero”
Literatura: como proteger seu filho dessa droga
Prezada senhora,
Obrigado por sua consulta. Nossa experiência de reabilitação de centenas de pacientes, quase todos afligidos por sintomas idênticos aos que a senhora descreve em seu e-mail, nos permite assegurar que seu filho estará inteiramente curado em apenas uma semana, caso a senhora opte por contratar nossos inovadores serviços.
Na jornada rumo à meta de todos os pais dignos desse nome, uma vida saudável e produtiva para seus filhos, a senhora já deu o passo mais importante: identificar o problema no nascedouro e evitar a ilusão confortável de que tudo não passará de uma paixão adolescente fugaz.
A espiral do vício, minha senhora, é implacável: dos suspiros pelos cantos, sempre cercada de livros, a vítima passa em 72,7% dos casos à fase que chamamos de “projeção ativa”, arriscando então seus próprios escritos, seduzida pela miragem de pertencer a esse mundo imaginário de beleza e sensibilidade que os ingênuos conhecem por literatura. Leia Mais
O Teatro Mágico – Amanhã…Será?
Se aliança dissipar
e sentença for só desamor!
a tormenta aumentará!
Quando uma comunidade viva!
Insurrece o valor da Paz,
endurecendo ternamente!
Todo bit, byte, e tera..
será força bruta a navegar,
será nossa herança em terra!
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?
O “post” é voz que vos libertará.
Descendentes tantos insurgirão.
A arma, o réu, o véu que cairá.
Cravos e Tulipas bombardeiam,
um jardim novo se levantará.
O Jasmim urge do solo sem medo.
O sol reclama no Oriente.
Brada a lua que ilumina.
Rebelando orações e mentes.
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?
-
Composição: Daniel Santiago / Fernando Anitelli / Gustavo Anitelli
Poderes Ocultos – Capítulo 8: Empatia

by Joder Filho
Susana estava cada vez mais animada com o que via. Diogo acabara de liberar uma descarga potente de energia elétrica no chão que, incrivelmente, não machucou nenhum deles, a não ser o próprio rapaz que foi arremessado longe com o coice do disparo. Felizmente, não quebrou nada e não se feriu muito. Só alguns arranhões e o braço que ainda doía.
Como Augusto explicara, o poder de Diogo era manifestado em forma de energia elétrica. Curiosamente, era manipulado pelas emoções do rapaz.
– Como você não queria machucar nenhum de nós – Augusto explicou enquanto ele se recuperava – você não o fez. É como se o raio obedecesse ao seu instinto e à sua vontade. Assim que aprender a focá-lo e controlar o nível de energia liberado, você será formidável, meu rapaz. Formidável. – repetiu empolgado.
– Como você sabe tudo isso? – ele tentava se colocar em pé.
– Deus, meu filho. Deus! Ele me mostra tudo o que preciso saber sobre vocês. – ele apoiou o braço de Diogo em seu ombro e foram para um banco no canto – Acredito que esse seja meu dom. Descobrir o de vocês. Além de outras coisas menores.
– Enquanto ele tá nessa – Arnaldo se intrometeu – tem como mostrar o nosso? – perguntou apontando para si mesmo e para Susana alternadamente. Leia Mais
Coming Soon…
Quem acompanha o blog há pelo menos um ano saberá muito bem o que este vídeo significa… =)
As Crônicas do Fim – Episódio 02: “Lazarus” (Parte 2)
by Gustavo Guilherme
Recordo-me vagamente de algumas histórias fantásticas que costumava ouvir quando criança. Eram contos sobre heróis audaciosos que pelejavam a favor de seus ideais, mesmo que isso lhes custasse, no fim, a vida. Geralmente, tais enredos se passavam em “mundos esquecidos pelos deuses” e, inúmeras vezes, tinham finais felizes. Nós, entretanto, não temos heróis. Nosso mundo foi esquecido, mas não por algum deus irado e ciumento. Nossa terra foi abandonada por nós mesmos. Somos seus guardiões e, também, seus executores.
A escassez de água potável na Terra foi responsabilidade nossa. Poluímos tudo que podíamos. Em busca de riquezas naturais que satisfizessem as nossas necessidades fúteis, destruímos a maior delas. A água tornou-se impura na maior parte do planeta e o mundo adoeceu. Hoje, o único lugar onde se pode encontrar “água saudável” é nas cidades que foram ocupadas pelo governo, que agora tem nas mãos as respostas para todas as enfermidades sociais, econômicas e políticas da Terra.
***
Em poucas horas, meus pés reencontraram Minos. Atravessei o portal de entrada da cidade depois de ler a placa de boas-vindas, ironicamente intacta.
Em outros tempos, Minos estaria repleta de crianças sorridentes a correr pelas ruas. Seus pais, atenciosos e educados, provavelmente estariam por perto, cuidando de seus filhos com cautela e dedicação. Os becos mais sombrios da velha cidade estariam devidamente iluminados, as ruelas limpas e as calçadas cheias de gente. Minos era um dos lugares mais venerados do continente. A bela praia, ponto turístico da cidade, vivia cheia de surfistas e gente de toda a parte. Os prédios eram altos e quase sempre rústicos em algum aspecto. As casas tinham o formato padrão de toda grande metrópole pertencente ao conglomerado de cidades que chamamos de Ancor, eram quase todas grandes mansões cobertas por telhados coloridos e pintadas por fora de um azul claríssimo. Por dentro, as mansões eram mais comuns do que se podia imaginar: dois quartos, cozinha, dois banheiros, sala de estar e um quintal geralmente grande o suficiente para dar festas e reunir amigos nos fins de semana.
Minos era ímpar! E as famílias que ali moravam não seriam capazes de imaginar a bela cidade convertida em desgraça, poeira e destruição, como meus olhos constatavam agora. A plenitude urbana, sinônimo de organização e conforto, era agora o perigeu das metrópoles, a vergonha de Ancor. Leia Mais



























