As Crônicas do Fim – Episódio 02: “Lazarus” (Parte 2)

agosto 25, 2011 | 2 Comentários

by Gustavo Guilherme

Recordo-me vagamente de algumas histórias fantásticas que costumava ouvir quando criança. Eram contos sobre heróis audaciosos que pelejavam a favor de seus ideais, mesmo que isso lhes custasse, no fim, a vida. Geralmente, tais enredos se passavam em “mundos esquecidos pelos deuses” e, inúmeras vezes, tinham finais felizes. Nós, entretanto, não temos heróis. Nosso mundo foi esquecido, mas não por algum deus irado e ciumento. Nossa terra foi abandonada por nós mesmos. Somos seus guardiões e, também, seus executores.

A escassez de água potável na Terra foi responsabilidade nossa. Poluímos tudo que podíamos. Em busca de riquezas naturais que satisfizessem as nossas necessidades fúteis, destruímos a maior delas. A água tornou-se impura na maior parte do planeta e o mundo adoeceu. Hoje, o único lugar onde se pode encontrar “água saudável” é nas cidades que foram ocupadas pelo governo, que agora tem nas mãos as respostas para todas as enfermidades sociais, econômicas e políticas da Terra.

***

Em poucas horas, meus pés reencontraram Minos. Atravessei o portal de entrada da cidade depois de ler a placa de boas-vindas, ironicamente intacta.

Em outros tempos, Minos estaria repleta de crianças sorridentes a correr pelas ruas. Seus pais, atenciosos e educados, provavelmente estariam por perto, cuidando de seus filhos com cautela e dedicação. Os becos mais sombrios da velha cidade estariam devidamente iluminados, as ruelas limpas e as calçadas cheias de gente. Minos era um dos lugares mais venerados do continente. A bela praia, ponto turístico da cidade, vivia cheia de surfistas e gente de toda a parte. Os prédios eram altos e quase sempre rústicos em algum aspecto. As casas tinham o formato padrão de toda grande metrópole pertencente ao conglomerado de cidades que chamamos de Ancor, eram quase todas grandes mansões cobertas por telhados coloridos e pintadas por fora de um azul claríssimo. Por dentro, as mansões eram mais comuns do que se podia imaginar: dois quartos, cozinha, dois banheiros, sala de estar e um quintal geralmente grande o suficiente para dar festas e reunir amigos nos fins de semana.

Minos era ímpar! E as famílias que ali moravam não seriam capazes de imaginar a bela cidade convertida em desgraça, poeira e destruição, como meus olhos constatavam agora. A plenitude urbana, sinônimo de organização e conforto, era agora o perigeu das metrópoles, a vergonha de Ancor. Leia Mais

Curta-Metragem: “Cardboard Warfare”

agosto 24, 2011 | Sem comentários


Sensacional!

#Resenhando 001: “A Romana”

agosto 23, 2011 | 2 Comentários

por Thaís Lira

Sou apaixonada por autores que sabem tocar as pessoas no fundo da alma. Mas essa paixão fica ainda mais intensa quando tais autores conseguem provocar comichões e irritabilidades a ponto de provocar mudanças drásticas na forma que agimos e pensamos naquele mesmo instante em que lemos um trecho qualquer de suas obras. Foi assim que me senti ao ler “A Romana”, obra da série “Os imortais – Literatura Universal”.

O autor em questão é Alberto Moravia, ou Alberto Pincherle, como preferir. Além de ser escritor, Moravia era um grande Jornalista Italiano. E foi através desse lado jornalístico que o encontrei como autor.

Pesquisando um pouco sobre a história de Moravia, descobri que ele foi vítima de tuberculose e, por isso, foi obrigado a passar metade de sua infância sob supervisão intensiva de seus pais. Como é mencionado em sua biografia, ele “teve que passar uma significativa parte de sua infância e adolescência em convalescência” e, com isso, foi prejudicado nos estudos. Mas se você quiser saber um pouco mais sobre ele, basta dar uma pesquisada básica que encontrará muitas informações. Hoje, não é exatamente sobre ele que quero falar.

Agora que já apresentei o autor, devo apresentar a obra. Leia Mais

Mensagem ao meu amor…

agosto 23, 2011 | Sem comentários

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Fonte: Vida Besta

As Crônicas do Fim – Episódio 01: “Lazarus” (Parte 1)

agosto 18, 2011 | 4 Comentários

by Gustavo Guilherme

Fugi de uma tribo há alguns meses. Eles já não tinham meios de sustentar tanta gente que os procurava em busca de socorro. Numa noite fria, abandonei meu posto de sentinela do portal de entrada de um pequeno vale a oeste da capital Millem e parti para o sul em busca de, talvez, um novo refúgio.

Em minha jornada de fuga e solidão, caminhei por um mês debaixo do sol sem avistar esperanças no horizonte. Descobrir uma possível razão de ainda estar vivo pode parecer tolo, mas é o que me move. Chame de fé, tolice ou suicídio, mas ainda tenho esperanças de que o mundo poderá um dia voltar a ser como antes… Antes do pandemônio causado pelas devastações da guerra… Antes das inúmeras doenças causadas pela escassez de água… Antes do caos.

Por algum motivo que, confesso, não sei explicar, não consigo me manter por mais de um ano em alguma tribo. Alguma força me move a procurar respostas, caminhos alternativos para viver em paz. E, nesta jornada aparentemente infame, perdi amigos, família e a antiga alegria.

Minha esperança é um silêncio pungente. Leia Mais

As Crônicas do Fim – Prefácio: “Água, Guerra e Solidão”

agosto 18, 2011 | 3 Comentários

Se houvesse alguma possibilidade de enviar uma carta através do tempo, alertando antepassados, denunciando de algum modo os caminhos errôneos que nos trouxeram o caos, eu o faria. Escreveria quantas letras fossem necessárias só para dizer a humanidade de outrora – a mesma que um dia sonhou com a possibilidade de viver em paz – que o futuro não é promissor.

Há exatos vinte anos, as pessoas começaram a fugir de suas casas com medo da guerra iminente. A água potável da Terra, cada vez mais escassa, era o motivo de diálogos intensos e assustadores entre líderes de governos. Organizações internacionais tentaram por décadas impedir o embate entre as nações e planejaram em vão idéias e projetos político-sociais para que a pouca água que ainda restava fosse compartilhada entre os países de maneira justa.

Nada funcionou.

Enquanto líderes do mundo todo discutiam formas de manter a paz, os povos de cada país envolvido abriam mão do conforto de seus lares para irem, por si mesmos, em busca de abrigo, paz e água. A urgência da guerra era inegável. A noção de comunidade e o velho conceito de hierarquia e liderança, no entanto, não abandonaram os corações dos homens e eles, por segurança, criaram grupos de fuga, aos quais deram o nome de “tribos”.

Inicialmente, estes grupos se refugiavam no alto dos montes ou na escuridão dos vales. Porém, com o advento da guerra que estourou anos depois, algumas tribos migraram para ruínas de cidades destruídas e abandonadas pelas tropas locais. Cidadelas ou metrópoles, o mundo foi reduzido a um grande deserto de destroços, poeira, sangue e caos. Por causa das bombas, ataques de armas químicas e atentados atômicos, só restou destruição.

Desde 2054, há treze anos, não se ouve falar em trégua.

A guerra é constante e não deve acabar tão cedo.

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Fantasia, fim do mundo, guerras e muito mistério. Estes são os ingrediente de “As Crônicas do Fim”, história que contarei aqui, com episódios semanais. Tais crônicas já haviam começado em outro blog, mas foram reformuladas e têm aqui o seu recomeço! Excepcionalmente, publicarei o primeiro episódio ainda hoje. Espero que gostem.

Ass.: Gustavo Guilherme, o autor.

Pipoca&Letra 015. “Super 8″

agosto 17, 2011 | 2 Comentários

por Gustavo Guilherme

Homenagear outros tempos, artistas ou diretores da sétima arte não é algo novo para o cinema norte-americano. Inúmeros filmes fazem referências a atores, atrizes, trilhas sonoras, etc. Mas são poucos os que se assumem publicamente como uma total homenagem. Super 8, por exemplo, é feito de referências do início ao fim e, pra deixar a coisa toda ainda mais interessante, traz no próprio cartaz o nome de seu homenageado: Steven Spielberg, produtor do filme.

“Super 8” nos conduz a uma cidadezinha de interior (bem como em alguns dos filmes já citados de Spielberg), onde acompanhamos Joe Lamb (Joel Courtney), um adolescente que perdeu a mãe em um acidente, e seus amigos metidos em uma tarefa interessante: filmar um curta metragem para um certo festival de cinema. Durante as filmagens deste curta (que conta inclusive com zumbis no elenco), Joe conhece Alice Dainard (Elle Fanning) e se interessa pela bela menina. Entretanto, quando tudo parece mera diversão, Joe e seus amigos presenciam um espetacular acidente de trem que por pouco não os mata. A partir daí, mistérios surgem e o clima de homenagem fica ainda mais intenso.

Não tive a chance de ver no cinema “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, “Os Goonies” ou “ET – O Extraterrestre”, obras claramente homenageadas em “Super 8″, mas cresci assistindo-os pela TV. E tais experiências foram extraordinárias, contribuindo decisivamente para meu gosto pelo cinema. A proposta do filme dirigido por J. J. Abrams, entretanto, é prestar homenagens evidentes a outros filmes do mestre Spielberg, inclusive ao inesquecível “Jurassic Park” que, vejam só, foi meu primeiro filme na sala escura (ainda criança e morrendo de medo dos dinossauros). O empenho em citar as obras do homenageado é tamanho que, em alguns momentos, J. J. Abrams parece ter se esquecido de dar um toque mais original a sua história, optando por transportar todo o universo dessas obras para seu “Super 8”, transformando assim sua obra em um conglomerado de referências com cheiro de nostalgia.

O que poderia ser um equívoco torna-se, na verdade, um grande acerto do diretor. Ver a relação divertida entre os quatro garotos e a ingenuidade em seus atos nos remete imediatamente ao mundo inocente de “Os Goonies”. A mistura de inocência e coragem do protagonista nos lembra e muito o pequeno Elliott, de “ET – O Extraterrestre”. O suspense de cada mistério que se forma durante a trama, incluindo segredos de estado, desaparecimentos e o climão “alienígena” do filme denuncia a referência ao já citado “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”. Além de tudo isso, algumas cenas onde o diretor parece esconder o seu monstro são muito parecidas com “Jurassic Park”. Tais citações e referências nos transportam imediatamente a outros tempos, tempos de aventuras originais e divertidas, tempos de Spielberg! Leia Mais

Eclipse Perdido

agosto 17, 2011 | Sem comentários

por Abner Arrais

Todos têm sonhos. Alguns preservam os mesmos sonhos desde crianças, outros os deixam morrer. Sou um desses que sonham como criança. É quarta-feira e meu sonho para hoje é realizar um “sonho de criança”: ver um eclipse.

Meu despertador toca as oito, ligando o rádio. Gosto de saber o que irá acontecer no dia para me preparar melhor para ele. O me informa: “Ocorrerá hoje, às 17h30 um eclipse solar, mas um nevoeiro ameaça estragar o espetáculo”.

“Raios!”, resmungo para mim mesmo. “Uma boa notícia seguida por uma péssima”. Me acalmo e tento me motivar a não desistir meu sonho de infância. Fico ansioso e tento arrumar a casa para acalmar os ânimos, mas não levo muito jeito com isso e então desisto.

A hora do eclipse se aproxima e decido ir com meu cachorro até a Praia do Arpoador. O som das ondas me tranquilizam. Chego a orla e o som da multidão me aflige uma leve dor de cabeça, parece que todos vieram ver o eclipse. Mas as pessoas abrem espaço para eu passar como se eu fosse alguma autoridade importante.

O relógio apita 17h30 e um silêncio paira sobre a praia. É possível apenas ouvir o som das ondas batendo nas pedras e minutos depois algumas reclamações pelo eclipse não ter ocorrido ainda.

De repente, palmas começam a bater e cães começam a latir. Então me lembro do meu tomento de cada manhã: sou cego.

Perdi o eclipse e talvez outras dezenas de sonhos, mas que ninguém diga que foi por falta de vontade ou de ação. Não. Isso nunca poderão falar de mim. Essa alegria, nenhuma deficiência roubará.

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Para todos aqueles que preferem ficar cegos do que tentar receber a Graça e ver o Magnífico (ou receber a alegria Dele tentando vê-lo, mesmo não conseguindo por causa das imperfeições).

A Ignorância

agosto 11, 2011 | 2 Comentários

por Thaís Lira

Restou, sobrou.

No escuro de sua mente, você se perdeu. Em uma noite escura, vazia e sem estrelas, tornou-se evidente a sua falta de investimento em talentos importantes como bom senso, bom humor e simpatia. Seu riso é treva; suas palavras, punhais. Atolado em sua vaidade invisível e em seu orgulho sem motivos, você tem dado passos grossos, insanos e imbecis. Passos escuros. Será que não notas que sua maior enfermidade é sua miserável ignorância?

Quantos mais serão necessários que se afastem de você para que note o quanto morre, perto dos humildes, dos vivos?

E será que não percebes que aqueles que te conhecem e se aproximam de ti, notam que a sua ignorância revela sua mais profunda sapiência?

Torna-te inútil. Muito inútil, a ponto de afundar-se na solidão do próprio orgulho.Digo-te não por que te desprezo. Digo-te por que te amo.

Poderes Ocultos – Capítulo 7: O Que Comanda As Tempestades

agosto 5, 2011 | 2 Comentários

por Joder Filho

Era a coisa mais incrível que Diogo já presenciara. Ele, embasbacado com o que presenciava, sorria boquiaberto com tudo aquilo. Após Augusto e Susana terem buscado o rapaz naquela manhã, passaram em frente a um hotel barato onde outro rapaz de uns dezessete anos aguardava. Sua única bagagem era uma mochila surrada de aparência questionável. Como antes, Augusto desceu do carro, cumprimentou o garoto e levou-o ao veículo. Diogo teve a impressão de que o reverendo foi menos cordial com o garoto do que com ele, mas não chegou a se incomodar com isso.

– Esse é Arnaldo – disse Augusto enquanto afivelava o cinto do banco do condutor – Esses são Diogo e Susana, seus novos companheiros.

– Oi – Diogo usou o tom mais cordial que conseguiu, mas em resposta só recebeu um aceno de cabeça. Arnaldo desviou o olhar para fora do carro, isolando-se do contato inicial com os colegas.

Augusto cantarolava enquanto dirigia. Ninguém conversou, ou arriscou conversar muito. O único assunto que tinham em mente agora era sobre o chamado divino e quanto a isso, Augusto foi enfático “Conversaremos quando chegar a hora.” Sendo assim, não sobrou muito para se fazer. Arnaldo pôs o par de fones de ouvido, algo que Diogo julgava inútil, uma vez que conseguia ouvir os riffs ensandecidos e bateria sendo espancada graças ao volume do mp4. Concentrou-se então na estrada. Tentava assimilar o que tinha acontecido e o que viria a seguir.

– Então, o que você faz de vida? – a voz de Susana o abordou num sobressalto. Ele a olhou por cima do ombro, mas ela não pareceu ter notado que o pegara de surpresa. Ou isso, ou se divertia muito com o fato. De qualquer forma, ele respondeu com um “han?” como se não tivesse ouvido a pergunta. – O que faz da via? – ela repetiu.

– Ah, eu sou programador de sistemas. – ele disse tímido.

– Maneiro – ela remendou o encarando. – Senão fosse o câncer, eu teria escolhido algo nas Artes – ela disse admirando as próprias unhas.

– Câncer? – ele arriscou. Leia Mais