Me aceita?

julho 12, 2011 | 13 Comentários

por Gustavo Guilherme

O homem que berrava sentia-se imponente em pé sobre um palanque improvisado. De repente, foi interrompido por um adolescente:

– Moço, moço…

O pregador cede. Se cala. Curva-se devagar e se dispõe a ouvir, observando o jovem da cabeça aos pés.

– … eu até aceito esse Jesus. Mas será que ele me aceita?

O homem sobre o palanque ri. Leia Mais

#Microcontos: “Acidente”

julho 2, 2011 | Sem comentários

Acidente

A esperança jazia mutilada sobre o asfalto, desfeita em pedaços, sem vida. Anestesiados, os olhos mudos do rapaz refletiam a luz verde do semáforo. Enfim, liberdade.

#Microcontos: “Artificial”

julho 2, 2011 | Sem comentários

Artificial

A cada novo amanhecer, a mesma rotina. Montava-se aos poucos diante do espelho. Primeiro, vestia os olhos congelados e o sorriso incolor de todos os dias. Depois, apressava-se a esconder o rosto triste atrás da velha e gasta máscara de satisfação. Enfim, fantasia completa, já podia voltar à sua vida feita de isopor.

#Microcontos: “Fé”

julho 2, 2011 | Sem comentários

Durante a juventude, Amarildo ajudava pessoas a subirem na vida. Ensinava-os alguma profissão, empurrava-os para uma nova realidade e não exigia nada em troca. Agora, velho e enfermo, não há ninguém que segure suas mãos cansadas ou que lhe retribua os favores prestados. Solitário, Amarildo escreve o epitáfio que deseja em seu túmulo: “É preciso muita fé para ter fé na humanidade”.

#Microcontos: “Acaso”

julho 2, 2011 | Sem comentários

Acaso

Saiu de casa cinco minutos atrasado, tropeçou na soleira da porta e perdeu a hora do embarque. Deu graças a Deus duas horas depois, minutos antes do vôo seguinte, quando ouviu a notícia anunciada pelos auto-falantes do saguão: o avião sem ele caíra, em chamas, há poucos minutos.

Um apóstolo segundo um apóstolo

julho 1, 2011 | Sem comentários

por Carlos Amorim

O chamado “Movimento da Restauração Apostólica” transformou o que outrora fora um extraordinário ofício circunstancial em mais um degrau a ser escalado na carreira eclesiástica. A meu ver, o apostolado moderno é só mais uma patente, um insígnia dourada, forjada com o propósito de enaltecer os homens que a ostentam. Estes charlatões condecorados, que transpiram altivez e vaidade por todos os poros, não poderiam estar mais distantes dos apóstolos genuínos.

Creio que não há quem melhor possa falar a respeito da realidade do ministério apostólico do que um apóstolo… E um de verdade! Acho que Paulo é a pessoa certa para esta tarefa, pois foi quem mais precisamente descreveu a vida e a obra de um enviado (é o que a palavra grega ἀπόστολος, apostolos, significa) . Portanto, vamos contrapor a vida do Apóstolo dos Gentios com a destes que existem por aí…

  • Alguns dos apóstolos modernos rasgam os céus a bordo de seus jatos de luxo, ao passo que os apóstolos autênticos não tinham meios para manter uma montaria, e por conta disto, costumavam percorrer longas distancias a pé.  Paulo também chegou a se deslocar em barcos, o que rendeu-lhe um saldo de três naufrágios  (2 Coríntios 11:25);
  • Muitos destes que se dizem apóstolos, nas vezes em que são pegos de calças curtas pela justiça dos homens, ou quando são criticados por seus vários deslizes doutrinários, costumam apresentar-se como vítimas injustiçadas (1 Pedro 2:20).  Paulo foi apedrejado, surrado com varas (2 Coríntios 11:25) e aprisionado (2 Timóteo 2:9), e ainda assim, ousava dizer que “…a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17) [grifo meu]; Leia Mais

Convite ao Sacrifício (Paul Washer)

julho 1, 2011 | Sem comentários

“Morra antes de morrer. Não haverá chances depois.” C. S. Lewis

Siga o Mestre…

julho 1, 2011 | Sem comentários

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Fonte: Vida Besta

Irmãos

junho 30, 2011 | 7 Comentários

Um conto de Gustavo Guilherme

“A razão vos é dada para discernir o bem do mal.”
Dante Alighieri

Assim que os vi naquela manhã, dei a eles nomes ordinários em minha mente fértil. E o fiz por não saber, na verdade, qual a alcunha real daqueles seres.

Batizei-os em silêncio de Bem e Mal. Também os imaginei crescer com tal educação: um antagonista do outro, não podendo, em hipótese alguma e jamais, conviver em harmonia. Não existiriam nunca quaisquer possibilidades de alguma sociedade entre eles. Um era vilão, o outro era mocinho. Um vestiria sempre o azul; outro, cinza. Estavam destinados a odiarem-se mortalmente para sempre.

Era sexta-feira quando decidi comprar mantimentos para casa quando, por acaso, dei de cara com a peleja. Bem e Mal se enfrentavam ferrenhamente no beco ao lado do Supermercado.

A violência que meus olhos enxergavam era louca, insaciável, incansável. Estaquei mudo, deixando as sacolas cheias de alimento caírem na calçada.

O Bem avançava contra seu oponente com absoluta ingenuidade e, em troca, recebia golpes certeiros na cabeça. Vestia-se como um príncipe, em azul, tecido raro. O Mal, coberto em panos banais e de cor acinzentada, investia pancadas agressivas no peito e no rosto do Bem sem dar tréguas, arrancando-lhe a vida aos poucos.

Eu, petrificado, observava calado a luta espantosa. Socos, pontapés, mordidas, palavras de ofensa, cuspidelas e hostilidade – tudo aquilo me parecia um espetáculo de gosto duvidoso, um circo de horrores cruel e fatal.

O Mal, infatigável, desviava-se facilmente das empreitadas previsíveis de seu inofensivo opositor. A batalha era covarde, Mal sempre fora o mais forte. Leia Mais

L’Amour!

junho 30, 2011 | 1 Comentário

por Giovani Júnior

Prefiro me tornar indiferente (leia-se insensível) quanto a me deixar levar por essas “modinhas” e “ondinhas”. Isso pode até parecer loucura pra você, mas a mínima possibilidade de desonrar o meu Deus e de perder a pessoa que Ele tem preparado pra mim por uma simples paixonite já me deixa apreensivo. Amar é o verbo mais complicado de ser conjugado e nunca deve ser confundido com o verbo gostar.

Mas nesse momento eu não irei falar do amor fraternal, aquele que sinto pelos meus amigos e familiares – desse amor eu não abriria mão nunca –, eu vou falar do amor que dá origem ao romance, àquele friozinho na barriga e que te faz rir sozinho e sonhar acordado. Leia Mais